Internacional
Estados Unidos revogam status da Síria como patrocinadora do terrorismo
Governo americano afirma que decisão pode estimular investimentos na Síria
Os Estados Unidos revogaram nesta segunda-feira (24), por meio do Departamento de Estado, o status da Síria como Estado Patrocinador do Terrorismo. A decisão também retirou o Hay'at Tahrir al-Sham, ou Frente al-Nusra, da lista de Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas (SDGT).
A medida foi anunciada em um comunicado oficial do governo americano e representa uma mudança na política de Washington em relação à Síria. A designação como Estado Patrocinador do Terrorismo impunha restrições à assistência externa dos Estados Unidos, às exportações de defesa e a determinadas transações financeiras envolvendo o país.
A retirada da Síria da lista reduz essas restrições e sinaliza uma aproximação entre Washington e Damasco, além de abrir espaço para novas relações comerciais e investimentos internacionais no país.
A decisão já havia sido antecipada em 8 de julho pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Na ocasião, Rubio afirmou que a suspensão das sanções poderia contribuir para a reconstrução da Síria.
“A suspensão das sanções contra a Síria destravará o comércio e os investimentos internacionais, dará à Síria a chance de se reconstruir e abrirá um novo capítulo para o povo sírio.”
O secretário também destacou os possíveis efeitos da mudança para a região.
“Uma Síria estável, unificada e em paz consigo mesma e com seus vizinhos beneficia não apenas a região, mas o mundo inteiro.”
A mudança também ocorre após uma aproximação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente interino da Síria, Ahmed Al-Sharaa.
Os dois se encontraram em julho, antes da Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada na Turquia. Durante a reunião, Trump antecipou a decisão de retirar a Síria da lista, que foi efetivada nesta segunda-feira.
Além da Síria, o governo americano retirou o Hay'at Tahrir al-Sham (HTS), também conhecido como Frente al-Nusra, da classificação de Organização Terrorista Global Especialmente Designada.
O grupo esteve vinculado à Al-Qaeda até 2016, quando anunciou a separação da organização. A Frente al-Nusra também foi removida da lista de Nacionais Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas do OFAC, órgão do Departamento do Tesouro responsável pela aplicação de sanções econômicas.
Com a mudança, americanos passam a poder realizar transações com a Frente al-Nusra sem a necessidade de autorização prévia do OFAC, conforme os termos da decisão.
Após o anúncio, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que a medida cumpre uma promessa feita por Trump e busca criar condições para a recuperação econômica síria.
“A ação de hoje ajudará a fomentar investimentos na Síria.”
Bessent também afirmou que a decisão faz parte do compromisso do governo americano de “dar ao povo sírio uma chance de alcançar a grandeza”.
