Internacional

El Niño pode agravar fome e afetar 49 milhões até 2027, alerta ONU

Fenômeno ocorre quando as temperaturas do oceano no Pacífico equatorial sobem para níveis anormais, desencadeando alterações climáticas

Por Sputnik Brasil 05/08/2026 17h05
El Niño pode agravar fome e afetar 49 milhões até 2027, alerta ONU
Número de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda pode crescer em até 49 milhões até o final de 2027 - Foto: © AP Photo / Tsvangirayi Mukwazhi

O número de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda pode crescer em até 49 milhões até o final de 2027 devido à intensificação do fenômeno climático El Niño, conforme alerta divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU.

"O El Niño de 2015-2016 afetou a segurança alimentar de 60 a 100 milhões de pessoas. Análises preliminares do PMA projetam que este El Niño de 2026-2027 poderá levar pelo menos mais 49 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda até o final de 2027", destacou a agência.

O estudo avaliou 45 países que já enfrentam instabilidade alimentar, nos quais o El Niño deve impactar de forma significativa os índices de precipitação, as temperaturas e os riscos de seca e inundações. Há uma probabilidade de 81% de ocorrência de um evento de grande intensidade, com as temperaturas da superfície do oceano já atingindo níveis recordes. O fenômeno pode se tornar o mais forte desde 1950.

Segundo o PMA, o pico do El Niño é esperado entre setembro e dezembro de 2026, com efeitos que podem persistir ao longo de 2027. América Central e África Austral devem ser as regiões mais afetadas, mas também há previsão de agravamento da situação na África Oriental, Sul da Ásia e Sudeste Asiático.

O El Niño ocorre quando as temperaturas do oceano no Pacífico equatorial sobem para níveis anormais, desencadeando alterações climáticas em escala global.

Apesar do alerta, um relatório da ONU divulgado em julho mostrou que a fome global apresentou queda pelo terceiro ano consecutivo em 2025, embora ainda haja entre 608 e 696 milhões de pessoas enfrentando escassez de alimentos.