Internacional

Erupção do vulcão Fuego afeta mais de 29 mil pessoas na Guatemala

Fluxos piroclásticos, queda de cinzas e alertas máximos mobilizam equipes de emergência em diversas comunidades

Por Redação 05/08/2026 11h11
Erupção do vulcão Fuego afeta mais de 29 mil pessoas na Guatemala
Colunas de cinzas ultrapassaram cinco mil metros de altitude durante a erupção - Foto: Reprodução

A intensificação da atividade do vulcão Fuego, na Guatemala, levou centenas de moradores a deixarem suas casas e colocou milhares de pessoas sob os efeitos da queda de cinzas. As autoridades classificaram o fenômeno como uma fase explosiva crítica e reforçaram o monitoramento da região diante do risco de novos episódios.

Localizado a cerca de 50 quilômetros a sudoeste da Cidade da Guatemala, o vulcão Fuego voltou a expelir lava e grandes colunas de cinzas desde a última segunda-feira (3). Segundo as autoridades, ao menos 1.699 pessoas já foram retiradas de áreas de risco, enquanto fluxos piroclásticos avançam pelas ravinas ao redor do maciço.

As cinzas alcançaram mais de 5 mil metros de altitude e se espalharam por até 120 quilômetros, conforme informou Edwin Rojas, diretor do Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia.

"A atividade do vulcão Fuego continua em uma fase explosiva crítica", afirmou Rojas durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira.

De acordo com a Coordenadoria Nacional para Redução de Desastres (Conred), mais de 29 mil pessoas foram afetadas pela dispersão das cinzas.

A Direção-Geral de Aviação Civil também emitiu um alerta aos pilotos, informando que a nuvem de cinzas compromete parte do espaço aéreo a oeste e sudoeste do vulcão, até a fronteira com o México. Apesar disso, o principal aeroporto internacional da Guatemala segue operando normalmente.

Pelo menos três regiões decretaram alerta vermelho, o nível máximo de emergência, para estimular a evacuação das áreas mais vulneráveis. No entanto, muitas famílias ainda resistem em deixar suas casas.

"Infelizmente, a lei da Conred não é coercitiva. Não é como em outros países, onde as autoridades dizem: 'Precisamos evacuar', e todos evacuam. Aqui, trata-se de uma recomendação. Por isso, estamos indo de casa em casa para convencer as famílias a deixar a área", explicou Claudinne Ogaldes, secretária-executiva da Conred.

Segundo o ministro da Defesa, Henry Saenz, equipes de segurança permanecerão na região para evitar saques, preocupação apontada por diversos moradores que ainda relutam em abandonar suas residências.

A Conred informou que 18 comunidades já foram afetadas pela fumaça e pela queda de cinzas. Até o momento, não há registro de fluxos de lava atingindo áreas habitadas nem de danos a imóveis.

Como medida preventiva, as aulas foram suspensas em municípios próximos ao vulcão. O Ministério da Educação avalia a necessidade de ampliar as restrições, enquanto o acesso turístico aos vulcões Acatenango e Fuego foi interditado por tempo indeterminado.

Outra medida adotada foi o fechamento da Rodovia Nacional 14, uma das principais ligações com a cidade de Alotenango, devido ao risco provocado pela atividade vulcânica.

Considerado um dos vulcões mais ativos da América Central, o Fuego protagonizou uma das maiores tragédias naturais da Guatemala em 2018, quando uma grande erupção deixou centenas de mortos e desaparecidos.

As autoridades informaram que a atividade do vulcão continuará sendo monitorada de forma permanente nas próximas 72 horas.