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Descanso é essencial na véspera do Enem, orientam especialistas

A pressão para revisar todo o conteúdo, aliada às expectativas familiares e pessoais, pode desencadear sintomas severos de ansiedade e até episódios depressivos

Por Redação com Agência Brasil 06/11/2026 14h02
Descanso é essencial na véspera do Enem, orientam especialistas

Com a proximidade do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste domingo (8), é natural que os candidatos fiquem mais apreensivos. A pressão para revisar todo o conteúdo, aliada às expectativas familiares e pessoais, pode desencadear sintomas severos de ansiedade e até episódios depressivos.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmam que uma preparação socioemocional sólida é fundamental para evitar que o estresse se torne desproporcional ou paralisante.

Sob a ótica da psicologia, a tensão surge da percepção de que a capacidade e o preparo do candidato estão sendo testados, além do peso que o exame representa para o futuro profissional.

A psicóloga e professora da Afya Porto Nacional, Wilma Amorim, destaca que o Enem simboliza o acesso ao ensino superior e a realização de projetos construídos ao longo de anos, gerando receio de falhar, insegurança e cobrança excessiva. Segundo a especialista, certo nível de ansiedade é esperado e pode ser produtivo.

“É bom deixar claro que o problema não é sentir ansiedade, mas quando ela se torna intensa, a ponto de prejudicar a concentração, o sono, a memória, aí sim é um problema. Mas é benéfica essa ansiedade do friozinho na barriga”, avalia.

O que priorizar na reta final

Na véspera da avaliação, muitos estudantes abrem mão do autocuidado para estender as horas de estudo, prejudicando o sono regular e a alimentação equilibrada.

Para Stephanie Zanini, pós-graduada em psicologia positiva e diretora de Programas de Desenvolvimento de Lideranças do Ensina Brasil, esse comportamento compromete o aprendizado e reduz o desempenho do estudante.

Nas 24 horas que antecedem a prova, Zanini desaconselha o estudo intensivo e sugere momentos de lazer com pessoas queridas, já que a base teórica foi consolidada ao longo do ano letivo.

“Não adianta tentar ler todos os livros e decorar todas as fórmulas nas últimas 24 horas antes do Enem. Esse é o momento de ir ao cinema, relaxar, comer algo de que se gosta, estar com quem se ama. O que precisava ser aprendido já foi assimilado nas últimas semanas e anos”, explica.

Tanto Stephanie Zanini quanto Wilma Amorim recomendam cuidados com a saúde física, sono adequado, alimentação e descanso. Além disso, preparativos logísticos, como visitar o local da prova com antecedência, separar documentos e organizar materiais, ajudam a evitar picos de ansiedade de última hora.

Outro ponto importante é reduzir o tempo de tela. Redes sociais podem intensificar comparações nocivas entre candidatos, alimentando sentimentos de incapacidade, exaustão e angústia.

Apoio parental

Pais e responsáveis têm papel fundamental na redução da pressão sobre os estudantes. Os especialistas recomendam uma postura de escuta atenta, valorizando o esforço ao longo do ano.

Esse acolhimento deve respeitar a individualidade do estudante. Enquanto alguns preferem momentos de introspecção, outros se sentem mais confortáveis conversando sobre a prova com a família.

Apresentar alternativas concretas para diferentes cenários de resultado, garantir estabilidade emocional e colaborar com a rotina logística nas horas que antecedem o exame também são atitudes que reduzem a sobrecarga.

Por outro lado, deve-se evitar frases que criem sentimento de cobrança por desempenho, como “você precisa passar” ou “estamos investindo em você”. Segundo Amorim, cobranças explícitas aumentam o medo de decepcionar e agravam o desgaste emocional.

“O estudante precisa de apoio, incentivo e segurança emocional. A família deve transmitir confiança, reconhecendo que houve preparação e que o desejo de ver o estudante bem não pode acabar prejudicando nesse momento”, afirma.

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