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Alagoas inaugura primeira biofábrica de mosquitos em Arapiraca
Unidade inicia estratégia em 24 bairros prioritários, com previsão de alcançar cerca de 118 mil habitantes
Alagoas passou a contar com sua primeira biofábrica de mosquitos com a bactéria Wolbachia. A unidade, inaugurada na quinta-feira (5), em Arapiraca, vai produzir os chamados “Wolbitos”, mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria e apresentam menor capacidade de transmitir vírus como os da dengue, zika e chikungunya.
Batizado de VETORLAB, o laboratório está localizado no bairro Baixa Grande, ao lado do Complexo Multiprofissional de Saúde Rogério Auto Teófilo. A estrutura integra a estratégia de implantação do Método Wolbachia no município.
A primeira etapa do projeto contempla 24 bairros prioritários e deve alcançar aproximadamente 118 mil moradores. A proposta é ampliar gradualmente a iniciativa para outras localidades de Arapiraca.
A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em diversas espécies de insetos, mas que não está presente originalmente no Aedes aegypti. Ao ser introduzida nesse mosquito, ela dificulta a multiplicação dos vírus em seu organismo e reduz sua capacidade de transmitir doenças às pessoas.
Os Wolbitos são criados em laboratório e, depois, liberados em áreas definidas pelas equipes responsáveis. Ao se reproduzirem com mosquitos que já vivem no ambiente, os insetos com Wolbachia transmitem a bactéria aos descendentes, contribuindo para que ela se estabeleça na população local.
O método não elimina os mosquitos, mas busca reduzir a transmissão das arboviroses. Também não envolve modificação genética dos insetos.
Na biofábrica, os ovos recebidos são colocados em contato com água e alimento para que se desenvolvam até a fase adulta. Depois, os mosquitos são acondicionados em recipientes adequados e encaminhados para os pontos de soltura definidos pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde.
A implantação da tecnologia em Arapiraca é realizada em parceria com o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), a Wolbito do Brasil e o World Mosquito Program (WMP).
A estratégia começou a ser planejada no município em fevereiro e integra as ações de prevenção e controle das arboviroses. A expectativa é ampliar a cobertura para outras regiões da cidade, cuja população é estimada em cerca de 240 mil habitantes.
