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Estudantes criam plataformas para combater a desinformação digital

O projeto foi vencedor do HackaNAV 2026, competição nacional de inovação promovida pelo Nave a Vela, solução de educação tecnológica da Arco Educação

Por Agência Brasil 18/10/2026 20h08
Estudantes criam plataformas para combater a desinformação digital

Com a popularização da inteligência artificial (IA), ficou cada vez mais fácil criar imagens, textos e vídeos em poucos cliques. Porém, a mesma tecnologia que informa também pode ser usada para disseminar conteúdos falsos e desinformação.

Preocupadas com os impactos desse fenômeno, as estudantes Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, de 14 anos, do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife, desenvolveram a ferramenta Pense Bem para ajudar no combate à desinformação digital.

O projeto foi vencedor do HackaNAV 2026, competição nacional de inovação promovida pelo Nave a Vela, solução de educação tecnológica da Arco Educação. Como prêmio, o trio conquistou uma imersão tecnológica na agência espacial norte-americana, a Nasa.

“No Pense Bem, você pode colocar publicações que pretende fazer para que ele faça o cálculo de risco, analisando como isso pode escalonar e se pode gerar um efeito dominó negativo”, explica Beatriz Vasconcellos, uma das criadoras da plataforma.

A plataforma já está disponível online, mas segue em aprimoramento para lançamento oficial. O convite para quem acessa é claro: “Antes de publicar, pense no impacto”. O usuário responde a perguntas que avaliam se o conteúdo apresenta algum risco ao ser divulgado, como:

  • O conteúdo envolve nudez ou material íntimo de menores de 18 anos, ou de qualquer pessoa sem consentimento?
  • Foi gerado ou editado por IA?
  • Há pessoas reais reconhecíveis?
  • Elas deram consentimento?
  • Os fatos são apresentados como realmente aconteceram?

Com base nas respostas, a plataforma classifica o risco do conteúdo e sugere possíveis adequações para evitar danos e a propagação de desinformação.

“Vimos em várias pesquisas que as fake news podem afetar muito a vida das pessoas, inclusive sua socialização e até o psicológico”, destaca Beatriz.

A Unesco já classificou a desinformação como o principal risco global para 2025 e anos seguintes, superando até temas como mudanças climáticas, crise ambiental, fluxos migratórios, violência e terrorismo.

As estudantes realizaram pesquisas e entrevistas com professores, alunos e especialistas para embasar o desenvolvimento do projeto.

“Existem muitos impactos negativos causados pela desinformação. O que mais me surpreendeu foi perceber como ela pode afetar a democracia, tanto em anos eleitorais quanto fora deles, quando fake news são espalhadas”, comenta Beatriz.

Alice Gomes ressalta que a IA pode facilitar o acesso à informação, mas também pode levar as pessoas a não questionarem o que recebem pela internet ou em grupos de WhatsApp. “Muita gente compartilha informações sem checar a veracidade ou as fontes”, observa.

A experiência também mudou a relação das estudantes com o mundo digital. “Agora, quando vejo uma notícia online, penso: ‘vou pesquisar melhor sobre isso’. Melhorou nosso pensamento crítico”, conta Alice.

Letícia de Oliveira reforça a importância da educação midiática. “Percebi como a desinformação é um problema grave, que afeta a sociedade, inclusive em grupos de família e redes sociais. O projeto me trouxe mais conhecimento sobre o tema e sobre como podemos ajudar a combater a desinformação”, relata.

O Pense Bem ainda prevê desdobramentos para formação em escolas, com jogos e atividades de educação digital em desenvolvimento.

O trio também criou, durante a competição, a plataforma Fato ou Boato, que permite analisar a veracidade de notícias a partir do link informado pelo usuário.

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Foto: Renan Braz/Divulgação — As estudantes realizaram pesquisas e entrevistas para desenvolver o projeto.