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Ufal leva pesquisa sobre História da África para conferência em Angola
Agenda incluiu conferência em Luanda, pesquisa de campo e reuniões com representantes de instituições angolanas
A professora Flávia Maria de Carvalho, docente de História da África da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e integrante do Laboratório de História da África e das Afro-Brasilidades (Lahafro), participou de uma série de atividades acadêmicas, de pesquisa e de articulação institucional em Angola.
A missão foi financiada por edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e teve início a partir de um convite da professora Idalina Freitas, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), integrante da equipe do projeto “Dores do Atlântico”, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Conferência aborda estudos africanos no Brasil
Entre as atividades realizadas durante a agenda esteve a conferência “Conexões históricas: panorama dos estudos africanos nas universidades brasileiras”, promovida em 28 de setembro, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.
Destinada a estudantes de mestrado e doutorado, a atividade contou com a participação de Flávia Maria de Carvalho e Idalina Freitas e apresentou um panorama da produção acadêmica sobre os estudos africanos desenvolvida nas universidades brasileiras.
A apresentação teve como referência um levantamento realizado pela Coordenação Nacional do Grupo de Trabalho de História da África da Associação Nacional de História (ANPUH). O encontro também possibilitou discutir os caminhos percorridos pelos estudos africanos no Brasil e as possibilidades de aproximação e cooperação com instituições angolanas.
A discussão abordou ainda as transformações da área nas últimas décadas e os impactos da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira na educação brasileira.
A presença das pesquisadoras na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto também abriu espaço para a troca de experiências entre os dois países e para a discussão sobre a formação de redes de pesquisa e intercâmbio relacionadas aos estudos sobre África e suas conexões históricas com o Brasil.
Pesquisa de campo no Cuanza Sul
A agenda em Angola também incluiu uma pesquisa de campo no município de Calulo, na província do Cuanza Sul. A atividade foi realizada por meio da mediação de Graciete Antas e permitiu o contato com o sobado local, além de uma entrevista com o atual soba, Paulo Nicolau.
A experiência está relacionada à trajetória de pesquisa desenvolvida por Flávia Carvalho desde o mestrado, dedicada ao estudo das relações entre agentes da administração portuguesa e os poderes locais em Angola, especialmente entre os séculos XVII e XVIII.
Segundo a professora, a presença no território e o diálogo com representantes da organização política local contribuíram para observar aspectos que podem auxiliar na construção de novas interpretações sobre as formas de organização das sociedades angolanas.
“Estar ali com outros membros da elite política do Calulo evidenciou a força das tradições e a coexistência entre diferentes esferas de poder, que juntas ordenam e organizam diferentes áreas da vida e da sociedade da região”, destaca Flávia Carvalho.
A pesquisadora também ressaltou a importância de revisar conceitos utilizados na produção acadêmica sobre a História da África.
“Estudar histórias dos sobados ambundos exige a revisão de conceitos que fazem parte de nosso vocabulário, o que contribui diretamente para novas leituras e interpretações sobre temas como a coexistência entre os poderes invisíveis e os poderes visíveis que agem e interferem no cotidiano da população”, explica.
Agenda aproxima instituições brasileiras e angolanas
A passagem pelo Cuanza Sul também possibilitou ampliar o diálogo com representantes da região. Flávia Carvalho participou de uma entrevista em uma rádio local, de uma conversa com o prefeito e seus assessores e de uma reunião institucional com o diretor do Instituto Superior Politécnico do Libolo, Octávio Spíndola.
Durante o encontro, foi manifestado interesse na construção de diálogos e ações conjuntas com representantes das universidades brasileiras envolvidas nas atividades, entre elas a Ufal, a Unilab, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).
A agenda em Angola reuniu diferentes frentes da atuação universitária, como produção de conhecimento, pesquisa de campo, divulgação científica e articulação institucional.
Para a Ufal, a participação da professora contribui para ampliar os intercâmbios acadêmicos relacionados aos estudos africanos e fortalecer redes de pesquisa e cooperação entre Brasil e Angola.
A experiência também reforça a importância da internacionalização da pesquisa e da construção de diálogos acadêmicos que considerem os territórios, os sujeitos e os diferentes saberes envolvidos na produção das Histórias da África.
