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Menino de 8 anos está há quatro meses sem remédio para dermatite
O Dupilumabe já havia sido garantido por decisão da Justiça estadual após uma ação da Defensoria Pública de Alagoas
Um menino de oito anos, diagnosticado com dermatite atópica grave, está há pelo menos quatro meses sem receber o medicamento Dupilumabe, utilizado no tratamento da doença. A família de Luís Henrique do Nascimento da Silva voltou a pedir a continuidade do fornecimento do remédio pelo Governo de Alagoas.
Segundo a mãe da criança, Daiana Sousa do Nascimento, de 26 anos, o quadro de Luís Henrique piorou desde a interrupção do tratamento. Ele apresenta novas feridas pelo corpo, sente dores e está afastado da escola por causa dos sintomas. Recentemente, conforme o relato da família, o menino permaneceu internado durante dois meses.
O Dupilumabe já havia sido garantido por decisão da Justiça estadual após uma ação da Defensoria Pública de Alagoas. Em fevereiro do ano passado, foi determinado que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) adquirisse o medicamento para o tratamento da criança. Uma primeira remessa chegou a ser entregue, mas o novo fornecimento não foi realizado.
A mãe afirma que não consegue comprar o medicamento por conta própria. O tratamento pode custar até R$ 31 mil por mês e precisa ser mantido por tempo indeterminado. Daiana deixou o emprego de camareira para cuidar do filho, e atualmente as despesas da família são mantidas pelo marido.
“Meu filho sofre de dor, eu não tenho como comprar o remédio. O quadro dele, que já era grave, piorou ainda mais”, relatou a mãe.
Além das limitações físicas, a família afirma que Luís Henrique também enfrenta impactos emocionais causados pela doença. De acordo com Daiana, durante os períodos de crise, o menino se afasta dos irmãos e dos colegas. Ela também relata episódios de preconceito em locais públicos, quando pessoas se afastam ao perceberem as lesões na pele da criança.
A dermatite atópica acompanha Luís Henrique desde os dois anos de idade. A mãe conta que até atividades simples, como tomar banho e jogar bola, passaram a ser prejudicadas pelas feridas e dores.
A família também relembra a morte da avó paterna do menino, que enfrentava câncer de mama e aguardava na Justiça a liberação de um medicamento. Segundo Daiana, quando a autorização foi concedida, a doença já estava em estágio avançado e o tratamento não pôde mais ser realizado.
Procurada, a Secretaria de Estado da Saúde informou que tomou as medidas administrativas para adquirir o Dupilumabe após a decisão judicial. A Sesau afirmou ainda que a contratação do fornecedor já foi realizada e que aguarda a entrega do medicamento para retomar o fornecimento ao paciente.
