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Cicatrizes ganham novas histórias com tatuagens gratuitas em Maceió

Profissionais oferecem gratuitamente tempo e arte para pessoas que desejam transformar marcas associadas a períodos difíceis

Por Redação 18/09/2026 11h11
Cicatrizes ganham novas histórias com tatuagens gratuitas em Maceió
Trabalho é realizado gratuitamente por tatuadores de Maceió - Foto: Reprodução

Tatuadores de Maceió têm usado a arte para ajudar pessoas que carregam cicatrizes relacionadas a períodos difíceis da vida. Com trabalhos gratuitos, os profissionais transformam as marcas em desenhos escolhidos pelos próprios clientes e contribuem para uma nova relação com a própria imagem.

A proposta vai além da estética. Para quem convive diariamente com marcas que remetem a momentos dolorosos, cobri-las pode representar uma forma de olhar para o passado sem que ele defina o presente.

É o caso de Juliana Santos, de 28 anos. Após enfrentar um período de depressão, ela decidiu tatuar as cicatrizes que carregava nos braços. Segundo ela, as marcas despertavam tristeza e também chamavam a atenção de outras pessoas.

“Eu ficava com vergonha e as pessoas sempre me perguntavam o que eram aquelas marcas. Então eu decidi cobrir com uma tatuagem, que agora me lembra que eu estou vivendo uma nova história e vou continuar fazendo diferente”, afirma Juliana.

O trabalho foi realizado pela tatuadora Sofia Leite Costa, que doa tempo e conhecimento para atender pessoas que desejam ressignificar cicatrizes por meio da arte.

Para Sofia, a tatuagem também pode ser uma maneira de devolver à arte parte do impacto que ela teve em sua própria trajetória.

“É importante você ter o seu trabalho, mas também é importante fazer alguma coisa que não seja sobre o dinheiro em si. A arte mudou muito a minha vida, a minha perspectiva de mundo, e eu pensei que isso poderia ser uma forma de mudar a perspectiva de outras pessoas. Tatuar em cima de uma cicatriz de automutilação, que lembra um período ruim da vida, faz as pessoas enxergarem que as coisas ruins podem ter um final bonito”, afirma.

A psicóloga Patrícia Rose explica que o processo de ressignificação pode contribuir para a autoestima e para a forma como a pessoa se enxerga.

“Quando você faz uma tatuagem reparadora, você tem um resultado muito positivo, melhora a autoestima e a autoimagem, e isso é importantíssimo para a mente estar legal. Se você olha e não se vê, tem algo errado”, conclui.

A iniciativa mostra como a tatuagem pode assumir um significado que ultrapassa a estética. Para quem escolhe transformar uma cicatriz em desenho, a mudança também pode representar a construção de uma nova narrativa sobre a própria trajetória.