Geral

Enem pode mudar redação e cobrar textos em quatro áreas a partir de 2028

Proposta preliminar prevê 50 linhas distribuídas entre Linguagens, Humanas, Natureza e Matemática

Por Redação 18/09/2026 09h09
Enem pode mudar redação e cobrar textos em quatro áreas a partir de 2028
Inep discute mudanças no formato do Enem a partir de 2028 - Foto: Reprodução/MEC

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) discute mudanças no formato do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2028. Entre as propostas preliminares está a reformulação da redação, que deixaria de ser um único texto dissertativo-argumentativo para ser dividida entre as quatro áreas do conhecimento.

Pela proposta discutida em reuniões técnicas, os estudantes produziriam 50 linhas de texto ao todo. A distribuição prevista seria de 20 linhas para Linguagens, 10 para Ciências Humanas, 10 para Ciências da Natureza e outras 10 para Matemática.

Atualmente, o Enem exige uma redação dissertativo-argumentativa de até 30 linhas, elaborada a partir de um tema específico. A mudança em análise busca ampliar a diversidade de raciocínios avaliados durante o exame, segundo participantes das discussões ouvidos pela reportagem.

Questionado sobre a possível alteração, o Inep afirmou que ainda não existe uma decisão definitiva sobre o novo modelo.

“Até o momento, deliberação final ou posição consolidada sobre os pontos específicos de implementação do novo modelo, mas há uma proposta preliminar que será discutida e finalizada até o final do ano”, informou o instituto.

O órgão também afirmou que mantém diálogo com especialistas e com o Ministério da Educação (MEC) para definir as mudanças. O objetivo é que, em 2028, o exame avalie o ensino médio de acordo com a Base Nacional Curricular e a Política Nacional do Ensino Médio.

Enem terá novas funções


A discussão sobre o formato da prova ocorre meses após o governo federal anunciar mudanças nas funções do Enem. Em março, um decreto determinou que o exame também será utilizado para avaliar a aprendizagem dos estudantes ao final do ensino médio, em integração com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

A utilização do Enem para ingresso no ensino superior, porém, continuará. A prova seguirá sendo usada em processos e programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Com a ampliação das funções, os resultados do exame também deverão ser utilizados para produzir diagnósticos sobre a educação básica e acompanhar desigualdades e metas educacionais.

Redação do Enem 2025


Na edição de 2025, estudantes e professores relataram à reportagem a percepção de que as notas da redação haviam sido mais baixas. O Inep negou mudanças nos critérios de correção e apresentou, entre as possíveis explicações, o uso mais frequente de modelos prontos e dos chamados “repertórios de bolso”.

Segundo o instituto, referências genéricas e memorizadas, quando utilizadas sem relação consistente com o tema ou com a argumentação desenvolvida pelo candidato, já poderiam ser penalizadas em edições anteriores.

Na ocasião, o Inep afirmou que a utilização crescente de modelos que poderiam ser adaptados a praticamente qualquer tema havia tornado esse aspecto mais relevante durante a correção das redações.