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Apostas online e telas: sinais de alerta para a saúde mental
A facilidade de acesso às plataformas também pode favorecer o comportamento compulsivo
O crescimento das apostas esportivas online e o uso intenso de celulares, redes sociais e jogos digitais aumentam a preocupação com os impactos desses hábitos na saúde mental. Mais do que o tempo gasto nessas atividades, o principal sinal de alerta é a perda de controle e os prejuízos na rotina.
Segundo o professor Allan Maia, da Pós-graduação em Psiquiatria da Afya Educação Médica Maceió, o comportamento pode se tornar patológico quando a pessoa não consegue interrompê-lo mesmo diante de consequências negativas.
“O sinal de alerta aparece quando começa a existir perda de controle e prejuízo na vida cotidiana”, explica.
Entre os sinais relacionados às apostas estão aumentar os valores apostados, irritar-se ao tentar parar, pensar constantemente no jogo, esconder gastos e tentar recuperar perdas com novas apostas. Esse último comportamento, conhecido como “perseguir as perdas”, é característico do transtorno do jogo.
A facilidade de acesso às plataformas pode agravar o problema. Com poucos cliques, é possível apostar, acompanhar partidas ao vivo, receber notificações e realizar novas apostas.
“As apostas mexem com um sistema cerebral muito importante para nossa sobrevivência: o circuito de recompensa”, afirma Maia. Segundo ele, a expectativa e a incerteza sobre uma recompensa podem estimular a repetição do comportamento.“O cassino, de certa maneira, passou a caber no bolso”, alerta.
O comportamento compulsivo também pode estar associado a ansiedade, depressão, irritabilidade e problemas de sono. Pessoas com transtornos como depressão, ansiedade e TDAH podem recorrer às apostas, aos jogos ou ao uso excessivo de tecnologia para aliviar emoções negativas.
Nas famílias, sinais como esconder o celular, omitir gastos, pedir dinheiro emprestado, abandonar atividades sociais e prejudicar estudos ou trabalho merecem atenção. As apostas também podem gerar dívidas e conflitos familiares, principalmente quando a pessoa tenta recuperar o dinheiro perdido.
“A pessoa pensa: ‘se eu recuperar o que perdi, eu paro’. Perde novamente e passa a precisar recuperar um valor ainda maior. Forma-se um ciclo”, afirma Maia.
O especialista recomenda buscar ajuda aos primeiros sinais de perda de controle. Psicólogos e psiquiatras podem auxiliar no tratamento, especialmente quando há sintomas de depressão, ansiedade, TDAH ou problemas relacionados ao sono e ao uso de substâncias.
A família pode ajudar estabelecendo limites, reduzindo o acesso às plataformas, desativando notificações e utilizando ferramentas de autoexclusão. Entre crianças e adolescentes, o uso de telas deve ser equilibrado com sono, atividade física, estudos e convivência presencial.
Para Maia, o objetivo não é tratar a tecnologia como inimiga, mas evitar que ela passe a controlar a vida. “Quando ocorre essa inversão, é hora de prestar atenção.”
