Política

PF realiza busca e apreensão em investigação sobre o caso 'Dark Horse'

Produtora do deputado federal Mario Frias está entre os alvos da Polícia

Por Redação 10/09/2026 11h11
PF realiza busca e apreensão em investigação sobre o caso 'Dark Horse'
Mario Frias, deputado e um dos investigados pelas autoridades no caso. - Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, sem ordens de prisão. Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL). Duas entidades ligadas à produtora, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), também são alvo das buscas.

Segundo a PF, uma organização formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos destinados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação dos serviços prestados. A investigação aponta ainda movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao suposto esquema.

Uma auditoria da CGU identificou indícios de irregularidades em uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Mario Frias para entidades ligadas a Karina. O parlamentar, que também atua como roteirista e produtor-executivo do filme, negou anteriormente que os recursos tenham sido destinados a uma produção cinematográfica.

O inquérito é relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), após ser transferido da Justiça de São Paulo. A investigação apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos relacionados a licitações.

O filme também é alvo de outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a delação de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", dono da empresa que realizou repasses para o filme. Segundo o acordo, foram feitos sete aportes para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, entre janeiro e setembro de 2025, totalizando US$ 12,333 milhões, cerca de R$ 62,8 milhões na cotação da época.

A PF investiga se todo o dinheiro foi destinado à produção de Dark Horse ou se parte dos recursos teve outra finalidade. Até o momento, os citados na operação não haviam se manifestado.