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Crédito & Mercado contesta decisão de Mendonça no caso Iprev/Master
Consultoria afirma que não foi contratada para fazer análise técnica e diz que documentos foram interpretados de forma equivocada
A Crédito & Mercado se manifestou sobre a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada às investigações envolvendo aplicações realizadas pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em títulos do Banco Master.
Em nota encaminhada à imprensa, a empresa afirma que tomou conhecimento da decisão por meio das notícias publicadas sobre a investigação e considera que houve uma interpretação equivocada de documentos relacionados ao caso.
A principal contestação diz respeito às chamadas Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs). Segundo a Crédito & Mercado, esses documentos são padronizados e administrativos, utilizados para formalizar operações, e não constituem pareceres técnicos nem representam recomendações de investimento.
A empresa afirma ainda que o modelo dos documentos é disponibilizado pela Secretaria responsável e que o APR é emitido pelo próprio Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).
Empresa nega participação na decisão
De acordo com a Crédito & Mercado, no caso específico do investimento no Banco Master, o Iprev Maceió não teria solicitado à empresa uma análise técnica sobre a operação.
A consultoria afirma que não emitiu parecer nem recomendou a aplicação dos recursos no banco.
A manifestação ocorre após documentos e informações relacionados à investigação apontarem a atuação da Crédito & Mercado no contexto dos investimentos realizados pelo instituto. Em matéria publicada anteriormente, documentos apresentados pelo vereador Rui Palmeira indicavam a presença de um representante da consultoria em reunião na qual o Banco Master teria sido apresentado como alternativa de investimento.
Em outra publicação recente, a mídia informou que a Crédito & Mercado já havia negado participação nas decisões e afirmado que colaboraria com as autoridades para esclarecer os fatos.
Agora, na nova nota, a empresa reforça a negativa e afirma que a decisão de Mendonça teria atribuído à consultoria uma responsabilidade que, segundo sua versão, ela nunca exerceu.
Consultoria diz que vai se defender
A Crédito & Mercado classificou a interpretação dos documentos como equivocada e afirmou que a associação com a decisão de investimento causa prejuízos à reputação da empresa.
Segundo a consultoria, assim que tiver acesso integral aos autos, serão apresentados os esclarecimentos considerados necessários para demonstrar que não houve participação da empresa, seja de forma consultiva ou decisória, na aplicação dos recursos do Iprev nas letras do Banco Master.
A manifestação ocorre em meio ao avanço das investigações sobre os investimentos do instituto. A Polícia Federal apura as circunstâncias das aplicações e documentos relacionados ao caso apontam duas operações com Letras Financeiras do Banco Master, de R$ 80 milhões e R$ 17 milhões.
O caso ganhou repercussão após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central e passou a envolver questionamentos sobre os procedimentos adotados pelo Iprev, a análise de risco e a governança das aplicações.
Confira a íntegra da nota
NOTA CRÉDITO E MERCADO
A Crédito & Mercado informa que teve conhecimento da decisão do ministro André Mendonça, com base na suposta investigação da Polícia Federal por meio da imprensa, e entende que houve uma análise equivocada da documentação relacionada ao caso.
O documento confunde APR (autorização de aplicação e resgate), que são documentos padronizados e administrativos que formalizam a operação. Os APRs não constituem de forma alguma pareceres técnicos, não representam recomendação de investimento e não refletem qualquer manifestação da Crédito & Mercado sobre aplicações financeiras. Esse modelo é disponibilizado pela secretaria, e é um documento simples que o RPPS emite e foi criado justamente para evitar fraudes financeiras.
No caso do investimento no Banco Master, a Crédito & Mercado jamais foi procurada pelo Iprev Maceió para realizar análise técnica, não emitiu parecer e não recomendou a operação. Ainda assim, não se sabe o motivo, mas a decisão atribui à empresa um papel que ela nunca exerceu, associando-a a uma decisão da qual não participou e sobre a qual jamais foi consultada e não possui nenhuma responsabilidade nisso.
Trata-se de uma interpretação errada e falsa dos documentos, que produz uma narrativa incompatível com os fatos e causa grave prejuízo à reputação da empresa. A companhia se defenderá para demonstrar que não houve nenhuma participação das letras do Banco Master tanto a título consultivo e muito menos decisório. E assim que tiver acesso aos autos, a Crédito & Mercado apresentará todos os esclarecimentos necessários.
