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Alagoas entra em alerta por alta de SRAG entre crianças e adolescentes

Estado está entre as três unidades da Federação com incidência em nível de alerta, risco ou alto risco e tendência de crescimento

Por Redação 28/08/2026 11h11
Alagoas entra em alerta por alta de SRAG entre crianças e adolescentes
Aumento dos casos de SRAG em Alagoas tem se concentrado principalmente na faixa de 2 a 14 anos - Foto: Freepik

Alagoas está entre os estados que exigem atenção diante do avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo o novo Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz nessa quinta-feira (27). O levantamento aponta crescimento da doença principalmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.

O estado aparece, ao lado de Mato Grosso e Roraima, entre as unidades federativas que apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco e, ao mesmo tempo, sinal de crescimento na tendência de longo prazo.

Em Mato Grosso e Roraima, o aumento tem se concentrado especialmente entre crianças de 2 a 4 anos. Já em Alagoas, a elevação alcança uma faixa etária mais ampla, dos 2 aos 14 anos.

A análise considera a Semana Epidemiológica 33, correspondente ao período de 16 a 22 de agosto. De acordo com os pesquisadores do InfoGripe, o cenário nacional indica um leve crescimento de SRAG entre crianças e adolescentes, associado principalmente ao rinovírus.

Em Alagoas, porém, ainda não há dados laboratoriais suficientes para apontar com precisão qual vírus está provocando o aumento. Pela faixa etária afetada e pelo cenário observado no país, os pesquisadores consideram possível que o rinovírus seja o principal responsável, com participação menor do metapneumovírus.

Além de Alagoas, Mato Grosso e Roraima, outros oito estados apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco. Nesses locais, entretanto, não foi identificado sinal de crescimento na tendência de longo prazo.

São eles:

Amazonas
Mato Grosso do Sul
Minas Gerais
Paraná
Rio Grande do Sul
Rio de Janeiro
Santa Catarina
Sergipe

Entre as capitais, quatro também apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com tendência de crescimento nas últimas seis: Aracaju (SE), Belém (PA), Boa Vista (RR) e João Pessoa (PB).

Os dados laboratoriais mostram que o rinovírus tem papel importante no atual cenário entre crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo, as hospitalizações por Vírus Sincicial Respiratório (VSR) estão em queda entre crianças menores de 2 anos.

Nas demais faixas etárias, a redução dos casos graves está relacionada principalmente à diminuição das hospitalizações provocadas pela influenza.

O período de sazonalidade da influenza A já terminou no país. A influenza B, por outro lado, apresenta leve crescimento de casos graves na Bahia e em Mato Grosso. O VSR segue em queda, embora ainda mantenha níveis elevados em alguns estados.

Em relação à Covid-19, a incidência de SRAG permanece baixa em todas as unidades da Federação.

Desde o início do ano epidemiológico de 2026, foram notificados 141.009 casos de SRAG no país. Desse total, 76.126 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, enquanto 49.389 apresentaram resultado negativo e pelo menos 7.392 ainda aguardavam análise.

Entre os casos positivos registrados no ano, a distribuição foi:

42% de vírus sincicial respiratório
30,4% de rinovírus
17,9% de influenza A
5,4% de influenza B
3,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19)

Considerando somente as quatro semanas epidemiológicas mais recentes, a proporção entre os casos positivos foi de 38,7% para VSR e 38,3% para rinovírus. Influenza B representou 8,2%, influenza A, 4,4%, e Sars-CoV-2, 1,6%.

Entre os óbitos de pessoas com resultado positivo para esses vírus no mesmo período, o rinovírus correspondeu a 32%, seguido pelo VSR, com 24%; influenza B, 18%; influenza A, 16,5%; e Sars-CoV-2, 5,5%.

O boletim aponta que a SRAG continua atingindo com maior frequência as crianças pequenas. A incidência mais elevada ocorre entre crianças de até 2 anos e está associada principalmente ao VSR.

Quando o indicador analisado é a mortalidade, o cenário se inverte: pessoas com 65 anos ou mais são as mais afetadas.

Entre os idosos, influenza A, rinovírus e VSR aparecem entre os principais vírus relacionados às mortes. Nas crianças pequenas, VSR e rinovírus também se destacam.

Apesar do cenário de atenção para determinados grupos e estados, os pesquisadores ressaltam que os dados de semanas recentes ainda podem sofrer alterações nas próximas atualizações, devido ao fluxo de notificações e à inclusão de novos resultados laboratoriais.