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Pais questionam gestão do CApTV e temem fim do Ensino Fundamental na Ufal

Famílias relatam mudanças na unidade, saída de professores e pendências no Conselho Escolar

Por Redação 19/08/2026 09h09
Pais questionam gestão do CApTV e temem fim do Ensino Fundamental na Ufal
Famílias questionam medidas que podem afetar o funcionamento do CApTV - Foto: Divulgação

Pais e responsáveis por alunos do Colégio de Aplicação Professora Telma Vitória (CApTV), ligado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal), cobram esclarecimentos sobre decisões que envolvem o funcionamento da unidade. Entre as preocupações estão a ausência de um Conselho Escolar efetivo, mudanças na organização do ensino, saída de professores e a possibilidade de suspensão do Ensino Fundamental a partir de 2027.

Os questionamentos das famílias se intensificaram após mudanças relacionadas à organização da unidade e à permanência de profissionais que atuavam no colégio. Em julho, o CApTV informou que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Maceió havia encerrado a parceria com a Ufal e comunicado a devolução dos servidores municipais cedidos à instituição.

No mesmo período, a direção do colégio encaminhou à Reitoria da universidade um documento comunicando a intenção de suspender o Ensino Fundamental a partir de 2027.

As famílias afirmam que aguardavam uma reunião com a administração central da Ufal para discutir os impactos das medidas e a continuidade da formação dos estudantes já matriculados.

As preocupações com a continuidade do Ensino Fundamental começaram antes da possibilidade de suspensão da etapa. Em novembro de 2025, os responsáveis foram informados de que o segundo ano seria oferecido em apenas uma turma.

Naquele momento, havia duas turmas de primeiro ano, com 28 crianças ao todo, enquanto a previsão era de 20 vagas para a etapa seguinte. A possibilidade de oito estudantes ficarem sem vaga e precisarem participar de sorteio levou as famílias a procurar a Reitoria, a Ouvidoria da universidade e o Ministério Público Federal (MPF).

Os responsáveis também questionam alterações no regime e nos turnos de funcionamento do Ensino Fundamental. Segundo o material apresentado pelas famílias, as mudanças afetaram a rotina de estudantes que possuem compromissos fixos fora da escola, como terapias.

Outro problema apontado pelos responsáveis é a ausência de um Conselho Escolar em funcionamento por aproximadamente quatro anos.

A questão chegou ao MPF, que instaurou procedimento preparatório e posteriormente expediu recomendação à Ufal. Em 2026, a universidade publicou um ato criando um Conselho Escolar Pro Tempore. Segundo as famílias, porém, a efetiva posse e o funcionamento do órgão ainda permaneciam pendentes.

Para os responsáveis, a ausência de uma instância participativa em funcionamento dificulta o acompanhamento das decisões relacionadas à unidade e à comunidade escolar.

A saída de profissionais também é citada entre os pontos de insatisfação. Um dos casos envolve a professora Isabel Ferreira Freitas, servidora efetiva da Rede Municipal de Educação de Maceió que atuava no CApTV.

Em manifestação encaminhada à Ouvidoria da Ufal, Isabel afirmou ter sido devolvida à Semed em 14 de maio de 2026 sem receber, segundo seu relato, justificativa administrativa, pedagógica ou funcional formal.

A professora também relatou ter sido retirada dos grupos institucionais de comunicação da escola e afirmou que não teve oportunidade de se despedir das famílias e dos alunos.

“No dia da devolução eu fui retirada de todos os grupos de WhatsApp da instituição, sem direito até de me despedir das famílias e das crianças.”

Isabel relatou ainda que, em julho, precisou comparecer ao colégio para assinar um documento e foi impedida de entrar na unidade enquanto aguardava autorização da gestão. Segundo ela, a situação ocorreu sob chuva e acabou fazendo com que deixasse o local sem concluir o procedimento naquele momento.

No documento enviado à Ouvidoria, a professora pediu a apuração dos procedimentos relacionados à sua devolução, à retirada dos grupos institucionais e à ausência, segundo ela, de fundamentação formal para a medida.

Diante da possibilidade de suspensão do Ensino Fundamental, os responsáveis afirmam que querem esclarecimentos sobre os motivos da medida, as alternativas consideradas pela universidade e o futuro dos estudantes que já frequentam a unidade.

As famílias também defendem a retomada de mecanismos de participação da comunidade escolar nas decisões sobre o colégio.

“Não queremos o fim do CApTV/UFAL. Queremos que ele seja fortalecido. Não queremos confronto com a escola ou com a UFAL. Queremos diálogo, transparência, participação e, acima de tudo, a garantia de que nossas crianças não serão prejudicadas por problemas administrativos que não foram criados por elas.”

Ufal diz que acompanha situação


Em nota, a Ufal informou que o Gabinete da Reitoria acompanha as ocorrências relatadas e que os casos já estão sob análise dos setores responsáveis.

"A respeito dos questionamentos recebidos sobre denúncias envolvendo a gestão do Colégio de Aplicação Telma Vitória (Captv), a Gestão Central da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) esclarece que o Gabinete da Reitoria (GR) está acompanhando as ocorrências relatadas, todas elas já sob os cuidados dos setores competentes.

No que diz respeito às relações do Captv com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Maceió, fica esclarecido que vêm sendo feitas tratativas da Reitoria com Semed e o Gabinete do Prefeito, todas as partes empenhadas na construção de um caminho técnico, legal e administrativo que não gere interferência sobre as atividades do colégio de aplicação e que garantam a manutenção do Captv.

Desse modo, tão logo estejam concluídas essas discussões técnicas entre as partes, será agendada reunião para apresentar à comunidade usuária as soluções alcançadas."