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Imprevisibilidade de terremotos reforça necessidade de preparo estrutural
Segundo especialistas, o risco de eventos semelhantes no Brasil é praticamente inexistente
O recente terremoto na Colômbia, que já deixou mais de 130 mortos, ocorre menos de dois meses após tremores devastadores na Venezuela, que resultaram em mais de 6 mil vítimas fatais. Segundo especialistas, o risco de eventos semelhantes no Brasil é praticamente inexistente.
As autoridades colombianas decretaram estado de desastre nacional após um forte terremoto atingir o país na manhã desta segunda-feira (10). Inicialmente, o Centro Sismológico Euro-Mediterrâneo registrou magnitude de 6,8, mas sismólogos europeus e norte-americanos posteriormente elevaram a estimativa para 7,4. O epicentro foi identificado próximo à cidade de San José del Palmar, no departamento de Chocó. Até o momento, 132 pessoas morreram em decorrência do abalo.
O episódio ocorre pouco tempo depois do terremoto duplo na Venezuela, que deixou mais de 6 mil mortos, dezenas de milhares de feridos e centenas de edificações destruídas.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Bruno Mattos, professor e geógrafo com pós-doutorado em dinâmicas urbano-ambientais e gestão de território, além de mestre em geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), esclarece que, ao contrário dos fenômenos meteorológicos, terremotos não são previsíveis. Embora tremores sejam relativamente comuns em países como Colômbia e Venezuela, abalos de grande magnitude são raros.
"Terremotos com magnitude acima de 6 graus na escala Richter não são tão frequentes. Se analisarmos globalmente, a quantidade de eventos acima de 6 é reduzida; acima de 7, menor ainda", afirma Mattos.
O especialista explica que as causas dos recentes terremotos na Venezuela e na Colômbia são distintas. No caso colombiano, o evento resultou do movimento convergente entre a placa sul-americana e a placa de Nazca. Já na Venezuela, o tremor envolveu um movimento transcorrente, quando placas deslizam paralelamente.
"As placas acumulam tensão durante anos, e o terremoto ocorre quando essa tensão se rompe. Quanto maior o acúmulo, mais intensos os tremores", detalha Mattos.
Prevenção é fundamental
Mattos ressalta que a prevenção é a forma mais eficiente e econômica de reduzir perdas humanas e danos estruturais. Ele compara os terremotos do Haiti, em 2010, e do Japão, em 2011, que tiveram magnitudes e impactos distintos: enquanto o Haiti registrou magnitude 7 e cerca de 300 mil mortos, o Japão enfrentou magnitude 9 com cerca de 20 mil vítimas, devido à melhor preparação estrutural.
"Países com maior renda e infraestrutura adequada conseguem minimizar os efeitos dos terremotos, pois constroem edificações preparadas para resistir aos abalos", explica.
Mattos destaca ainda que antigas civilizações do Peru já adotavam técnicas de construção para evitar colapsos estruturais, como o espaçamento entre tijolos. Esse cuidado, porém, não foi mantido em cidades como Cali, na Colômbia.
"Muitas construções estão em áreas de morro e encostas, o que aumenta o risco de deslizamentos durante os tremores", alerta.
Risco de terremotos no Brasil é mínimo
Sobre o Brasil, Mattos esclarece que abalos sísmicos de grande magnitude não ocorrem no país. Segundo ele, apenas uma mudança geológica significativa poderia provocar terremotos desse porte em território nacional.
"Terremotos como esses não vão acontecer no Brasil. Se acontecer, é porque estamos diante de uma mudança geológica muito grande. Costumo brincar: 'Para o mundo que eu quero descer'", afirma.
O especialista explica que a percepção de ausência de terremotos no Brasil se deve ao fato de a maioria da população viver no litoral, região central da placa sul-americana, enquanto a região Norte, mais ativa sismicamente, é menos habitada.
"Sempre se disse que no Brasil não há vulcões ou terremotos, mas temos vulcões adormecidos e registramos, sim, pequenos abalos sísmicos", comenta Mattos, citando como exemplo os tremores por acomodação de rochas, especialmente em Sobral, Ceará.
"Na base geológica, existem rochas que nem sempre estão bem conectadas, podendo formar cavernas e, eventualmente, ocorrer afundamentos naturais, o chamado acomodamento de rochas", conclui.
Por Sputnik Brasil
