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Mais de 100 brasileiros já morreram na guerra da Ucrânia, aponta DW
Itamaraty confirma 35 óbitos e 92 desaparecidos em meio ao conflito armado
Um levantamento da agência alemã DW apontou que o Brasil está entre os países com maior número de combatentes estrangeiros mortos na guerra da Ucrânia. Segundo a apuração, mais de 100 brasileiros perderam a vida no conflito, número que coloca o país atrás apenas de Estados Unidos e Colômbia.
O Itamaraty confirma oficialmente 35 mortes e 92 desaparecimentos de cidadãos brasileiros que se alistaram para lutar ao lado das forças ucranianas. O número mais que dobrou desde dezembro do ano passado. Entre os casos recentes está o de Edi Soares de Souza, morto em combates na região de Zaporíjia.
A presença de brasileiros no conflito é significativa. Há relatos de companhias militares formadas majoritariamente por falantes de português e lideradas por brasileiros. Canais oficiais de recrutamento da Ucrânia publicam regularmente conteúdos em português, convidando voluntários a se juntar à Legião Internacional.
A participação de estrangeiros na guerra é controversa. A Rússia classifica os combatentes como mercenários, o que os deixaria sem proteção da Convenção de Genebra em caso de captura. Já a Ucrânia afirma que os voluntários assinam contratos oficiais e têm os mesmos direitos e deveres dos soldados locais.
O governo ucraniano reformulou recentemente os contratos oferecidos a estrangeiros, incluindo salários mais altos e benefícios migratórios. Dependendo da função, a remuneração pode chegar ao equivalente a R$ 53 mil mensais. Apesar disso, veteranos alertam que a realidade é marcada por riscos extremos e poucas garantias.
No Brasil, não há legislação específica sobre mercenarismo, o que gera uma lacuna jurídica em relação à participação de cidadãos em conflitos armados no exterior. Em nota, o Itamaraty reiterou que a assistência consular em zonas de guerra é limitada e recomendou que brasileiros evitem envolvimento em forças militares estrangeiras.

