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Braskem confirma negociações com credores para reestruturar dívida de R$ 50 bilhões
Petroquímica admite análise de propostas indicativas que incluem conversão de débito em ações, mas ressalta que acordos ainda não têm caráter vinculante
A Braskem confirmou publicamente nesta terça-feira (21) que está em negociações diretas com seus credores financeiros para reestruturar uma dívida estimada em R$ 50 bilhões. Em esclarecimento prestado à B3 — a bolsa de valores brasileira —, a petroquímica informou que os planos recebidos até o momento têm caráter "indicativo e não vinculante" e continuam sob avaliação de seu corpo executivo.
A manifestação ocorre após reportagens revelarem alternativas drásticas apresentadas pelos detentores de títulos. Entre as propostas na mesa estão um novo financiamento no modelo DIP (debtor-in-possession) com conversão de dívida em participação societária — o que diluiria fortemente os atuais controladores — e o alongamento de prazos com a entrega de todos os ativos da empresa como garantia real.
Em nota oficial, a companhia assegurou que busca uma saída equilibrada para o impasse sem interromper as atividades operacionais:
"A companhia segue comprometida com as negociações em busca de uma solução consensual, estruturante e ordenada para sua estrutura de capital, garantindo a continuidade de suas operações no curso normal dos negócios", destacou a Braskem.
Mídia cautelar e corrida contra o tempo
A reorganização da estrutura financeira da Braskem é acompanhada por assessores especializados desde setembro de 2025. Em junho deste ano, o processo avançou para a troca formal de propostas com investidores de debêntures e notas seniores no exterior.
Para proteger o caixa durante as tratativas, a petroquímica obteve na Justiça uma medida cautelar que suspendeu por 60 dias cobranças, execuções e constrições patrimoniais por parte dos credores envolvidos na mediação instaurada perante a Câmara Wind de Mediação.
Apesar da blindagem temporária, o clima entre os investidores é de tensão. Credores internacionais têm pressionado por interlocução direta com a Petrobras — uma das principais acionistas da petroquímica —, demonstrando insatisfação com a condução das conversas pela gestora IG4 Capital. As partes correm contra o relógio para tentar fechar um plano de recuperação extrajudicial até meados de agosto.
Com agências.

