Ciência, tecnologia e inovação
Especialista alerta para risco energético com avanço descoordenado da IA
Economista afirma que treinamento paralelo de modelos de inteligência artificial pode elevar consumo de energia e gerar desperdício de recursos
O atual modelo de desenvolvimento de inteligência artificial (IA) adotado por países ocidentais, marcado pela atuação de múltiplas empresas em projetos semelhantes e sem coordenação, pode levar a um impasse energético, alerta o economista Konstantin Tserazov em entrevista à Sputnik.
Segundo o especialista, a multiplicidade de operadores de IA nos Estados Unidos traz um efeito colateral preocupante: empresas trabalham de forma isolada, treinando modelos similares nos mesmos conjuntos de dados e sem compartilhar esforços, o que gera desperdício de recursos.
"Toda essa arquitetura técnica complexa dos agentes de IA envolve milhões de tokens — unidades de processamento de informações e respostas. No modelo atual, com a adoção massiva e pouco planejada de agentes de IA, o Ocidente pode enfrentar um impasse energético em breve", explica Tserazov.
O economista ressalta que, devido à falta de coordenação entre os participantes do mercado norte-americano, os processadores das infraestruturas de IA operam abaixo da capacidade total. Durante o treinamento das redes neurais, há um consumo elevado de eletricidade, mas o tempo de inatividade pode chegar a 65%, e em alguns casos, até 95%.
Para Tserazov, a solução está na cooperação entre empresas, algo que, segundo ele, não ocorre nos EUA. Em contrapartida, ele aponta que a Rússia tem mais chances de avançar em um modelo colaborativo de desenvolvimento de IA, destacando o nível de coordenação em projetos econômicos como os realizados no âmbito do BRICS+.
"No BRICS+, é possível negociar a distribuição de esforços para o avanço da IA, e a Rússia pode contribuir com energia, competências e tecnologias avançadas", afirma o economista.
Nesta terça-feira (21), a vice-presidente da Comissão Europeia para questões de soberania tecnológica, Henna Virkkunen, também alertou para o risco de a União Europeia se tornar dependente das decisões tecnológicas de países terceiros, especialmente dos Estados Unidos, que podem usar essa posição para exercer pressão geopolítica.
De acordo com a chefe digital da Comissão Europeia, as recentes restrições dos EUA à exportação de modelos avançados de IA da empresa Anthropic demonstram como o acesso a essas tecnologias pode se tornar uma ferramenta de influência geopolítica.

