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Ufal cresce em rankings mesmo sob retenção de quase 65% do orçamento

Instituição afirma operar com recursos equivalentes aos de mais de uma década atrás, enquanto amplia pesquisas, cursos e programas estratégicos para o estado

Por Redação 18/07/2026 09h09
Ufal cresce em rankings mesmo sob retenção de quase 65% do orçamento
Reitor Josealdo Tonholo destaca papel da comunidade acadêmica na manutenção das atividades e na expansão da universidade - Foto: RENNER BOLDRINO - UFAL

Mesmo enfrentando um cenário de forte restrição orçamentária, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) tem ampliado sua atuação acadêmica, fortalecido a pesquisa e conquistado reconhecimento internacional. A instituição atribui os resultados ao esforço conjunto de servidores, estudantes e pesquisadores diante da redução dos recursos disponíveis para custeio e funcionamento.

A Universidade Federal de Alagoas atravessa um dos períodos mais desafiadores de sua história recente. Segundo dados apresentados pela instituição, até julho deste ano foram liberados R$ 447,2 milhões dos R$ 1,27 bilhão previstos no orçamento de 2026, cenário que a reitoria classifica como um estrangulamento financeiro capaz de comprometer a manutenção das atividades.

Apesar das dificuldades, a universidade tem mantido investimentos em ensino, pesquisa e inovação. Um dos exemplos citados pela gestão é o lançamento do curso de Inteligência Artificial, que iniciou sua primeira turma neste mês. Paralelamente, a instituição negocia junto ao Ministério da Educação (MEC) a criação de outras graduações voltadas a setores estratégicos para o desenvolvimento do estado.

Para o reitor Josealdo Tonholo, a capacidade de resistência da universidade está diretamente ligada ao comprometimento de sua comunidade acadêmica.

"A gente tem uma comunidade que é extraordinária. Nada disso acontece a partir do gestor. Isso tudo acontece a partir da comunidade como um todo", afirma Tonholo.

Segundo ele, a expansão da universidade ocorre mesmo diante de um cenário em que os custos operacionais aumentaram significativamente nos últimos anos.

"A comunidade da Ufal tem consciência da sua importância para Alagoas e não vai jogar a toalha. Vamos continuar insistindo com muita energia", ressalta o reitor.

Reconhecimento acadêmico


Os resultados aparecem também nos indicadores nacionais e internacionais. Neste ano, a Ufal avançou posições no ranking do Center for World University Rankings (CWUR), tornando-se a única universidade nordestina a registrar crescimento na classificação.

De acordo com a gestão, também houve aumento no número de pesquisadores de produtividade financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além da melhoria dos conceitos de programas de pós-graduação avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

"Por a gente estar fazendo das tripas coração, a UFAL cresceu, e como a única do Nordeste a evoluir. Aumentamos substancialmente a qualidade da graduação e da pós-graduação. De 2020 para cá, nenhum curso dos 104 cursos de graduação da UFAL diminuiu de conceito", exemplifica o reitor Josealdo Tonholo.

Pesquisa e inovação


A universidade também destaca o fortalecimento de parcerias com empresas e instituições públicas por meio de projetos tecnológicos e científicos. Iniciativas desenvolvidas em laboratórios e centros de pesquisa da instituição têm atraído investimentos e contribuído para a captação de recursos complementares.

Segundo Tonholo, essas parcerias têm sido fundamentais para compensar parte das limitações impostas pelo orçamento.

"Todos esses resultados de inovação e pesquisa nos permitem aprovar projetos específicos. A Ufal está sobrevivendo graças a esses recursos. Cada um desses projetos de pesquisa alavanca recursos no CNPq, na CAPES, na FINEP ou na iniciativa privada. E a gente usa para compensar a falta do orçamento oficial", destaca Josealdo Tonholo.

Entre os projetos citados estão iniciativas voltadas à inteligência de dados, educação digital, desenvolvimento tecnológico e melhoramento genético da cana-de-açúcar, considerado estratégico para a economia alagoana.

Assistência estudantil como prioridade


Ao mesmo tempo em que busca manter a expansão acadêmica, a universidade afirma enfrentar dificuldades para custear despesas básicas de manutenção. A instituição relata desafios relacionados à infraestrutura, contratos de serviços e conservação dos campi.

Segundo o reitor, a prioridade tem sido preservar programas de assistência estudantil, especialmente aqueles voltados para alimentação e permanência dos alunos em situação de vulnerabilidade social.

"Hoje, mais cerca de 77% da Ufal é de estudantes de alto grau de vulnerabilidade, que a família tem menos de um salário mínimo e meio por mês", explica.

Tonholo também reforça a importância do Restaurante Universitário para a permanência dos estudantes.

"O RU [Restaurante Universitário] é sagrado. Se não tiver de barriga cheia, o estudante não consegue estudar".

Alerta para os próximos anos


A reitoria avalia que a continuidade das restrições orçamentárias pode comprometer a capacidade de crescimento da instituição nos próximos anos. A projeção apresentada pela universidade indica que a evolução dos recursos destinados ao custeio não acompanha o avanço da inflação e o aumento da demanda por serviços.

"Ufal evolui muito às custas da saúde mental coletiva. Estamos chegando ao limiar. Se você me perguntar como é que está na Ufal, digo logo que temos uma comunidade de heróis da resistência, técnicos, docentes, terceirizados, estudantes. Mas o custo disso é a energia mental, a saúde mental, que definitivamente começa a ficar degradada. Vivemos em um ambiente extremamente agressivo. E nossa infraestrutura física está muito degradada", alerta Tonholo.

Ao defender novos investimentos, o reitor afirma que ampliar o acesso ao ensino superior é uma forma de reduzir desigualdades históricas no estado.

"O Governo Federal tem uma dívida com o estado de Alagoas. Não podemos só reclamar do orçamento, mas provocar em relação a pagar a dívida histórica aos alagoanos. Que seja garantido muito mais jovens na universidade, para serem transformados pela educação. Queremos que o governo federal reconheça a urgência de se fazer esse investimento, não só na Ufal, como nas outras instituições de ensino", reclama o reitor.