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Fisioterapia fortalece autonomia de crianças com TEA na Casa do Autista

Atendimento multiprofissional em Maceió contribui para o desenvolvimento motor, comunicação e qualidade de vida de crianças e adolescentes

Por Redação* 17/07/2026 10h10
Fisioterapia fortalece autonomia de crianças com TEA na Casa do Autista
Casa do Autista oferece atendimento integrado para estimular o desenvolvimento e a inclusão de pacientes com autismo - Foto: Ascom Maceió Saúde

A fisioterapia tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo benefícios que vão além da mobilidade. Na Casa do Autista, em Maceió, o atendimento integra um plano terapêutico multiprofissional voltado ao desenvolvimento motor, ao fortalecimento da autonomia e ao estímulo da comunicação, da atenção e da interação social.

Antes do início do acompanhamento, todos os pacientes passam por uma avaliação fisioterapêutica para identificar alterações motoras e definir as necessidades de cada caso. De acordo com a fisioterapeuta Rita de Cássia, embora nem todas as crianças e adolescentes necessitem de acompanhamento contínuo, a avaliação inicial é indispensável.

"Nem todas as crianças e adolescentes precisam de acompanhamento com fisioterapeuta, mas é imprescindível que todos passem pelo menos por uma avaliação. Os casos mais comuns são a marcha equina, quando a criança anda na ponta dos pés, alterações na postura, fraqueza muscular e alterações psicomotoras", explica.

O trabalho começa com uma anamnese realizada junto à família para compreender aspectos do desenvolvimento gestacional e motor do paciente. Em seguida, são aplicados testes validados que identificam as principais dificuldades, permitindo a elaboração de um plano terapêutico individualizado, com metas definidas para curto, médio e longo prazo.

"O fisioterapeuta realiza anamnese com a família para entender os aspectos do desenvolvimento gestacional e motor da criança. Conforme as demandas apresentadas e observadas em ambiente clínico, são aplicados testes validados para verificar em quais áreas a criança ou adolescente apresenta maiores déficits. A partir disso, é montado o planejamento terapêutico, com objetivos definidos para curto, médio e longo prazo e as atividades que serão utilizadas em cada etapa", detalha Rita de Cássia.

A frequência das sessões varia conforme as necessidades de cada paciente e pode ocorrer uma ou duas vezes por semana. O atendimento é realizado de forma integrada com outras especialidades, como Educação Física e Terapia Ocupacional.

"Podem ser realizadas uma ou duas sessões semanais, ressaltando a importância do alinhamento terapêutico e do trabalho em conjunto com a Educação Física e a Terapia Ocupacional", acrescenta.

Entre os pacientes atendidos está Guilherme, que apresenta escoliose. No tratamento, a equipe utiliza exercícios de Pilates solo e com bola para promover ganhos de mobilidade, flexibilidade, fortalecimento muscular, melhora da postura e da funcionalidade.

"A fisioterapia motora visa o ganho de mobilidade, flexibilidade, consciência corporal e fortalecimento muscular global, aspectos que, na maioria das vezes, apresentam déficits no TEA. Os ganhos na área motora refletem diretamente na melhora da linguagem, da atenção, da comunicação e da interação social, tendo em vista que ela é a base para o desenvolvimento", complementa.

Para a diretora-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, cada evolução alcançada é resultado do trabalho conjunto entre profissionais, pacientes e familiares.

"Na Casa do Autista, entendemos que cada criança e adolescente possui necessidades, potencialidades e um ritmo próprio de desenvolvimento. Por isso, investimos em um cuidado individualizado, baseado na atuação integrada da equipe multiprofissional e na participação ativa das famílias. Cada conquista representa mais autonomia, inclusão e qualidade de vida", disse.

Administrada pelo Maceió Saúde, organização social responsável pela gestão de unidades municipais de saúde, a Casa do Autista oferece atendimento especializado e humanizado. Segundo a diretora-presidente da instituição, Camila Porciúncula, o fortalecimento da assistência é resultado de uma gestão voltada à qualificação dos serviços públicos.

"A Casa do Autista representa um modelo de assistência que reúne acolhimento, qualificação técnica e atendimento humanizado. Nosso compromisso é oferecer uma estrutura capaz de atender às necessidades das crianças, adolescentes e suas famílias, garantindo um cuidado integrado e baseado nas melhores práticas para promover desenvolvimento, inclusão e dignidade", pontua.

Como ter acesso


A Casa do Autista conta com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos.

Para ter acesso aos serviços, é necessário reunir RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência, encaminhamento médico da criança ou adolescente e os documentos do responsável legal. A documentação deve ser entregue no setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, nº 2335, no bairro Farol.

Após a abertura do processo, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e a regulação dos casos, priorizando pacientes que ainda aguardam atendimento na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Os encaminhamentos para a Casa do Autista ocorrem de forma gradual, conforme a disponibilidade de vagas e os critérios técnicos estabelecidos. Quando a demanda supera a capacidade de atendimento, os pacientes permanecem em fila de espera.

*Com informações da Ascom Maceió Saúde