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MPF aponta contaminação ambiental em peixes-bois mortos em Porto de Pedras

Investigações no Rio Tatuamunha continuam

Por Redação com MPF 13/07/2026 12h12
MPF aponta contaminação ambiental em peixes-bois mortos em Porto de Pedras
Estudos alertam sobre qualidade das águas do Rio Tatuamunha - Foto: Associação Peixe-boi Alagoas

Os dois peixes-bois marinhos encontrados mortos em Porto de Pedras, no Litoral Norte de Alagoas, apresentaram sinais de exposição a agentes químicos e biológicos, segundo laudos analisados pelo Ministério Público Federal (MPF). Apesar disso, os estudos ainda não apontam uma relação direta entre a contaminação ambiental e a morte dos animais.

As conclusões foram discutidas durante uma reunião realizada na última sexta-feira (10), que reuniu representantes de órgãos ambientais, pesquisadores, entidades da sociedade civil e gestores públicos para avaliar os resultados dos exames realizados nos peixes-bois Netuno e Paty e definir os próximos passos da investigação sobre as condições ambientais do estuário do Rio Tatuamunha.

Os laudos produzidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) identificaram alterações inflamatórias e indícios de exposição dos animais a diferentes contaminantes presentes na água, nos sedimentos e nos tecidos analisados. Segundo os especialistas, porém, os elementos encontrados ainda são insuficientes para comprovar que esses agentes provocaram as mortes.

Diante dos resultados, os técnicos defenderam o monitoramento contínuo da qualidade ambiental da região e a adoção de medidas preventivas para reduzir riscos ao ecossistema.

Durante a reunião, também foram debatidos outros fatores que podem estar impactando o Rio Tatuamunha, como o assoreamento, ocupações irregulares, aterramento de manguezais, descarte inadequado de resíduos, expansão imobiliária em áreas sensíveis e possíveis reflexos sobre a fauna e as comunidades que vivem da região.

Entre as recomendações apresentadas estão a implantação de um sistema de vigilância epidemiológica da população de peixes-bois, o monitoramento permanente da água, dos sedimentos e de organismos utilizados como indicadores ambientais, além da restrição de atividades que provoquem o revolvimento do leito do rio enquanto houver dúvidas sobre a presença de contaminantes.

Como encaminhamento, o MPF estabeleceu prazo de cinco dias para que o ICMBio apresente o último laudo ambiental pendente e para que o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) envie documentos relacionados a fiscalizações e autos de infração envolvendo um empreendimento localizado na região.

Após a análise desse material, o Ministério Público Federal deverá avaliar a adoção de medidas administrativas e judiciais. O órgão também pretende criar um fluxo permanente de compartilhamento de informações com os órgãos ambientais para acompanhar a evolução do caso.

A procuradora da República Juliana Câmara destacou que os laudos representam um avanço na investigação, mas reforçou a necessidade de aprofundar o acompanhamento ambiental.

"Embora ainda não seja possível afirmar que a contaminação tenha provocado a morte dos animais, os estudos revelam um conjunto de fatores que precisa ser acompanhado de perto", afirmou.

Os documentos passarão a integrar o procedimento conduzido pelo MPF, que seguirá monitorando as condições ambientais do Rio Tatuamunha e as ações adotadas pelos órgãos responsáveis para proteger a biodiversidade da região.