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EUA cobram multa de R$ 7,2 trilhões por vício de jovens em redes sociais

Empresa é acusada de desenvolver Facebook e Instagram com recursos potencialmente viciantes para adolescentes e de omitir informações sobre a segurança das plataformas.

Por Redação 08/07/2026 12h12
EUA cobram multa de R$ 7,2 trilhões por vício de jovens em redes sociais
A Meta afirma que o valor pedido pelos estados americanos não encontra respaldo nos fatos nem na legislação. - Foto: Reprodução

A Meta informou à Justiça dos Estados Unidos que quatro estados americanos pedem a aplicação de multas que somam US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,2 trilhões) em um processo que acusa a empresa de desenvolver Facebook e Instagram com mecanismos capazes de viciar jovens usuários e de induzir o público ao erro sobre a segurança das plataformas.

O valor foi apresentado pela empresa em um documento protocolado na segunda-feira (6), em resposta à metodologia utilizada pelos procuradores-gerais da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey para calcular as penalidades caso a Meta seja condenada.


Segundo a companhia, a cifra é desproporcional e não encontra respaldo nas provas do processo.


"Uma sanção dessa magnitude não tem paralelo na história da aplicação das leis de proteção ao consumidor", afirmou a Meta no documento judicial.


Em nota, a empresa voltou a contestar os cálculos apresentados pelos estados.


"Os cálculos absurdos dos demandantes não têm fundamento em fatos ou na lei", declarou a companhia, acrescentando que continuará contestando as acusações.


Os documentos apresentados pelos estados permanecem sob sigilo. No entanto, durante uma audiência realizada em junho, os procuradores informaram que a estimativa considera o número de supostas violações multiplicado pelos valores máximos de multas previstos nas legislações estaduais.


Esse cálculo leva em conta a quantidade estimada de adolescentes e jovens que teriam sido impactados pelas práticas atribuídas à Meta.


O julgamento está marcado para agosto, em Oakland, na Califórnia, sob responsabilidade da juíza distrital Yvonne Gonzalez Rogers.


Ao todo, 29 estados americanos movem ações contra a Meta em tribunais federais. A maioria sustenta que a empresa violou a Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças (COPPA) ao coletar dados de menores sem o consentimento dos pais.


Além dessas alegações, o julgamento de agosto analisará acusações de que a empresa descumpriu leis estaduais de proteção ao consumidor ao minimizar os riscos associados ao uso de suas plataformas.


A Meta rejeita as acusações e argumenta que não existem provas de que tenha enganado os usuários sobre o suposto caráter viciante das redes sociais.


Segundo a empresa, o chamado "vício em redes sociais" não é reconhecido como um diagnóstico psiquiátrico oficial, razão pela qual suas declarações sobre o tema não poderiam ser consideradas falsas.


Além do processo principal, outros 14 estados americanos apresentaram ações semelhantes com base em legislações próprias. Esses casos deverão ser analisados em um julgamento separado, previsto para fevereiro.


No mês passado, a juíza Yvonne Gonzalez Rogers negou o pedido da Meta para encerrar o processo antes do julgamento. Na decisão, ela entendeu que ainda existem questões relevantes a serem esclarecidas, como a possibilidade de as plataformas terem sido projetadas para gerar comportamento compulsivo e de terem sido direcionadas, ao menos em parte, ao público infantil.


Após essa decisão, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que a empresa priorizou o lucro em detrimento da segurança de crianças e adolescentes e prometeu buscar a responsabilização integral da companhia.


A Meta não é a única empresa no centro desse debate. Plataformas como Snap, YouTube, Alphabet, TikTok e ByteDance também enfrentam milhares de ações judiciais nos Estados Unidos sob acusações semelhantes relacionadas aos impactos das redes sociais na saúde mental de menores.


Em março deste ano, um júri do estado do Novo México condenou a Meta ao pagamento de US$ 375 milhões após concluir que a empresa enganou consumidores locais. O estado ainda busca novas indenizações e medidas que obriguem mudanças no funcionamento do Facebook, Instagram e WhatsApp.