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Equipes relatam obstáculos do Governo Venezuelano em buscas pós terremotos

Enquanto as buscas por desaparecidos entram na segunda semana, organizações humanitárias afirmam enfrentar restrições para atuar nas áreas atingidas pelos terremotos.

Por Redação 02/07/2026 17h05
Equipes relatam obstáculos do Governo Venezuelano em buscas pós terremotos
Socorristas seguem trabalhando nas áreas devastadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela. - Foto: Reprodução

As operações de busca por desaparecidos na Venezuela continuam uma semana após os terremotos que devastaram diferentes regiões do país. Nesta quinta-feira (2), um homem foi retirado com vida dos escombros depois de permanecer oito dias soterrado, enquanto organizações de ajuda humanitária denunciam obstáculos para atuar nas áreas afetadas.

Com o passar dos dias, especialistas alertam que a chamada "janela de ouro" para localizar sobreviventes diminui, mas as equipes de resgate seguem mobilizadas na tentativa de encontrar vítimas.


Além dos desafios provocados pela destruição causada pelos terremotos, como estradas comprometidas e congestionamentos que dificultam o deslocamento das equipes, organizações internacionais afirmam enfrentar restrições para atuar no país.


Segundo a Amavex, organização beneficente sediada nos Estados Unidos, bombeiros venezuelanos relataram que foram impedidos de acessar determinados locais de operação. A entidade publicou imagens nas redes sociais mostrando um bloqueio realizado pela Polícia Nacional Bolivariana e uma discussão entre um bombeiro e um agente de segurança.


"Quando vidas estão em risco, não pode haver obstáculos. A prioridade deve ser salvar vidas, auxiliar as vítimas e apoiar aqueles que realizam o trabalho mais árduo", afirmou a organização.


Outra denúncia foi feita pela ISAR Germany, que informou ter recebido negativa para enviar uma equipe médica de emergência ao país, apesar de, segundo a entidade, a Venezuela ter indicado anteriormente a necessidade de apoio internacional.


Com base em informações atribuídas à Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Organização das Nações Unidas (ONU), a organização alemã afirmou que o Ministério da Saúde venezuelano decidiu, às vésperas da missão, impedir a entrada das unidades médicas internacionais até, pelo menos, 28 de junho de 2026.


A missão seria composta por 41 especialistas voluntários em resposta a desastres, além de equipamentos destinados ao atendimento das vítimas. Até o momento, não há confirmação de que a equipe tenha conseguido ingressar no país.


O representante da equipe de resgate Topos de Chile, Francisco Lermanda, também afirmou à imprensa venezuelana que militares interrompem periodicamente os trabalhos para exigir documentos de identificação dos socorristas.


Segundo ele, integrantes das equipes foram informados de que as inspeções ocorrem porque há suspeitas de que alguns resgatistas possam atuar como espiões. Ainda conforme o relato, um militar afirmou estar cumprindo ordens para verificar regularmente a identidade dos profissionais envolvidos nas operações.


Apesar das denúncias, os trabalhos de busca continuam em diversas áreas afetadas, com apoio de equipes nacionais e internacionais que permanecem concentradas na localização de sobreviventes.