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Trânsito da Gustavo Paiva divide opiniões: comerciantes relatam queda de até 70% nas vendas

DMTT diz que alteração já mostra melhora no fluxo, mas moradores e empresários reclamam de falta de consulta prévia e trajetos confusos

Por Redação 28/06/2026 17h05
Trânsito da Gustavo Paiva divide opiniões: comerciantes relatam queda de até 70% nas vendas
Moradores e comerciantes questionam mudanças e alegam que não foram informados - Foto: Wellerson Luciano

Desde o dia 17 de junho, quem trafega ou trabalha na Avenida Gustavo Paiva já sentiu o impacto de uma mudança que, segundo relatos colhidos pelo CadaMinuto, pegou a comunidade local de surpresa. Comerciantes, moradores e funcionários afirmam que as alterações no trânsito chegaram sem qualquer diálogo prévio — e, até agora, os efeitos práticos estão sendo mais negativos do que positivos para quem vive da região.

A mudança acontece no trecho entre as ruas Padre Luiz Américo e João Canuto da Silva. Segundo a assessoria de comunicação do Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT), a decisão veio de estudos de deslocamento e fluxo feitos pela Diretoria Executiva de Engenharia de Tráfego e Mobilidade, com o objetivo de melhorar o tráfego de veículos na avenida, que ganhou mais uma faixa de rolamento para quem segue rumo ao Centro.

O plano está sendo executado em duas etapas. A primeira já entrou em vigor: o fim do contrafluxo em parte da Gustavo Paiva, no sentido Litoral Norte. Na prática, isso significa que motoristas que vêm da Avenida João Davino, seguindo para o Litoral Norte, agora precisam acessar a Rua Padre Luiz Américo e, depois, a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes de Brito, para então continuar o trajeto.

Quem sente o impacto no dia a dia


Para muita gente que depende do próprio negócio para sobreviver, essa mudança virou um problema real. É o caso de Ivaldo Félix, proprietário de um estabelecimento na região, que viu o faturamento despencar. "O faturamento caiu 70% e já perdi muitas vendas por conta da mudança. Pois muitos clientes reclamam do congestionamento que está na região, além da mudança na trajetória, tendo que ir para a Avenida Litorânea para fazer o percurso, além de não ter clareza nas ruas ao redor", conta.

E o que mais incomoda Ivaldo não é só a queda nas vendas, mas a forma como tudo foi decidido. "Ninguém nos consultou. Anunciaram meio-dia e, no dia seguinte, já estava implantada a mudança. Sem consulta alguma", pontua.

Wesley Santos, outro comerciante da região, chama atenção para outros efeitos colaterais da mudança: o tempo mais apertado para os clientes chegarem antes do horário de fechamento, a dificuldade extra para o público idoso e o impacto direto na vida dos próprios funcionários.

"Muitos clientes dizem que tentam vir, mas por causa do alto fluxo, não chegam a tempo na nossa loja, pois ela já está fechada. Ainda tem o público idoso, esse é o que mais temos de clientes, e pela falta de acessibilidade na região, com essas mudanças, ficou complicado para ele; em nossa loja temos estacionamento, mas fica inviável para esse público chegar ao nosso local", relata.

Ele também chama atenção para um problema que vai além do comércio: "Tem também o fato de funcionários que dependem de ônibus se locomoverem até a praia para pegar o ônibus, o que antes não precisava. Além de ser mais longe, fica mais perigoso para eles. Isso ficou muito ruim."

No bairro de Cruz das Almas, o comerciante Sebastião reforça o mesmo sentimento de indignação entre os moradores diante da falta de consulta prévia. Segundo ele, mudanças nos pontos de ônibus da região fizeram com que moradores que vivem mais próximos da Gustavo Paiva precisem descer na praia, tornando o trajeto a pé até suas casas bem mais longo.

Sebastião também levanta um alerta sobre segurança: "Um perigo ocasionado pela mudança é a alta velocidade. Pois como ganhou mais uma faixa no sentido Centro, muitos condutores estão conduzindo mais rapidamente, além de não ter sinalização para controlar melhor o fluxo."

O que diz o DMTT


Procurada, a assessoria de comunicação do DMTT afirma que está acompanhando de perto esses primeiros dias de mudança, fazendo o levantamento do tempo de viagem e monitorando os resultados. "Ainda não temos uma semana da mudança, mas já é perceptível a melhora do tráfego sentido Centro. Resultado só conseguimos passar com o levantamento dos dados", afirma o órgão.