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Venezuela cria site para buscas de mais de 24 mil desaparecidos
Plataforma colaborativa foi criada por moradores para reunir informações sobre pessoas desaparecidas após os terremotos que já deixaram ao menos 164 mortos e 971 feridos.
Em meio às operações de resgate após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela, moradores criaram uma plataforma online para ajudar na localização de desaparecidos. A iniciativa busca reunir informações de familiares e facilitar o contato entre pessoas que perderam comunicação após os abalos sísmicos que devastaram regiões do país.
A ferramenta foi lançada poucas horas após a tragédia e tem servido como um canal de apoio para famílias que ainda não conseguiram localizar parentes e amigos. Na página, os usuários podem registrar informações sobre pessoas desaparecidas e consultar relatos enviados por outros cidadãos.
O comunicado divulgado no próprio site destaca a urgência da mobilização coletiva.
"Depois do terremoto, muitas famílias ainda não sabem onde estão seus entes queridos. Se você não conseguir entrar em contato com alguém, informe aqui."
Até as 11h45 desta quarta-feira, a plataforma contabilizava 25.969 registros de desaparecimento. Deste total, 1.195 pessoas haviam sido localizadas, enquanto 24.774 continuavam sendo procuradas por familiares e amigos.
Enquanto a população se organiza para ampliar as buscas, as autoridades venezuelanas confirmaram 164 mortes e 971 feridos em decorrência dos terremotos. Ainda não há um balanço oficial sobre o número de desaparecidos.
As projeções, porém, indicam um cenário preocupante. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que o número de vítimas fatais pode ser significativamente maior. Segundo o órgão, existe 44% de probabilidade de que o desastre ultrapasse a marca de 10 mil mortos e 30% de chance de superar 100 mil vítimas.
As estimativas levam em consideração fatores como a intensidade dos tremores, a densidade populacional das áreas atingidas e a vulnerabilidade das construções. Especialistas também alertam para riscos secundários, incluindo deslizamentos de terra e episódios de liquefação do solo, fenômeno que reduz a resistência do terreno e pode provocar o colapso de estruturas.
A tragédia mobilizou uma ampla rede de ajuda internacional. Países como Estados Unidos, México, França, Equador, República Dominicana e El Salvador já enviaram equipes especializadas para atuar nas operações de busca e resgate.
Na Europa, Alemanha, Espanha, Itália e Suíça também anunciaram apoio. Os suíços informaram o envio de 80 socorristas, oito cães farejadores e 18 toneladas de equipamentos para auxiliar nos trabalhos em áreas afetadas.
A China foi o único país asiático a anunciar ajuda até o momento, colocando-se à disposição para atender às necessidades apresentadas pelo governo venezuelano.
O Brasil também manifestou solidariedade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao Ministério das Relações Exteriores que mantenha contato com a representação diplomática venezuelana para identificar as formas mais adequadas de cooperação.
Paralelamente às ações emergenciais, o governo venezuelano anunciou a criação de um fundo de reconstrução de R$ 1 bilhão. Segundo a presidente interina Delcy Rodríguez, os recursos serão destinados à recuperação das cidades atingidas e ao apoio às famílias afetadas pelos terremotos.
Com milhares de pessoas ainda sem paradeiro conhecido e equipes trabalhando contra o tempo, a expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para ampliar o número de sobreviventes encontrados e dimensionar o real impacto da tragédia.


