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Quedas causam mais de 70% das mortes acidentais em idosos acima de 75 anos

Dia Mundial de Prevenção de Quedas alerta para riscos dentro de casa e reforça medidas simples que podem evitar acidentes fatais

Por Redação* 22/06/2026 12h12
Quedas causam mais de 70% das mortes acidentais em idosos acima de 75 anos
Prevenção dentro de casa é uma das principais formas de reduzir acidentes com pessoas idosas - Foto: Assessoria

Mais de 70% das mortes acidentais de pessoas com mais de 75 anos estão relacionadas a quedas, segundo dados do Ministério da Saúde. O alerta ganha destaque nesta quarta-feira (24), Dia Mundial de Prevenção de Quedas, e chama atenção para um problema que acompanha o avanço do envelhecimento da população.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as quedas causam cerca de 684 mil mortes por ano no mundo e estão entre as principais causas de lesões não intencionais. Além disso, aproximadamente 37,3 milhões de casos exigem atendimento médico anualmente.

Entre idosos com mais de 65 anos, entre 30% e 40% sofrem ao menos uma queda por ano, índice que cresce conforme a idade avança. No Brasil, cerca de 70% desses acidentes acontecem dentro de casa, muitas vezes em ambientes considerados seguros por familiares e cuidadores.

O impacto tende a aumentar nas próximas décadas. A OMS estima que, até 2050, a população mundial com mais de 60 anos chegue a 2,1 bilhões de pessoas, enquanto o grupo com mais de 80 anos deve triplicar. No Brasil, a projeção é de que cerca de 30% da população tenha mais de 60 anos no mesmo período, o que reforça a preocupação com a prevenção.

Além das mortes, as quedas representam uma das principais causas de internação de idosos no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente por fraturas de fêmur, punho, coluna e traumatismos cranianos. O problema também gera custos elevados com cirurgias, reabilitação e cuidados prolongados.

A geriatra e membro da ONA, Dra. Elisangela Chaves, explica que o risco de queda não deve ser entendido como parte natural do envelhecimento. Segundo ela, fatores como perda de massa muscular (sarcopenia), alterações de equilíbrio, doenças crônicas e uso de múltiplos medicamentos aumentam significativamente a vulnerabilidade.

“Medicamentos como sedativos, antidepressivos e alguns anti-hipertensivos, além da polifarmácia, elevam o risco de quedas”, afirma.

A especialista também destaca que sinais de alerta podem surgir antes do acidente, como dificuldade para levantar, lentidão ao caminhar, desequilíbrio, tonturas e medo de cair. Esses indícios, segundo ela, permitem intervenção precoce e evitam complicações.

Entre as principais medidas de prevenção estão ações simples dentro de casa, como melhorar a iluminação, retirar tapetes soltos, instalar barras de apoio em banheiros, usar calçados adequados e manter pisos secos e antiderrapantes. Atividades físicas regulares e acompanhamento médico também são recomendados.

As quedas também são frequentes em ambientes hospitalares. Segundo a especialista, fatores como uso de medicamentos, fraqueza temporária e confusão mental aumentam o risco durante internações. A avaliação do risco deve ser feita já na admissão e reavaliada ao longo da internação.

“Uma queda dentro do hospital não deve ser encarada como inevitável. Grande parte pode ser prevenida com uma cultura de segurança do paciente”, destaca a geriatra.

O tema também avança no Legislativo. O Projeto de Lei nº 4.376/2024 propõe a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Quedas entre pessoas idosas, com ações como incentivo à atividade física, adaptação de ambientes e campanhas de conscientização. A proposta ainda tramita no Congresso Nacional.

Especialistas reforçam que envelhecer não significa cair, e que a prevenção é fundamental para preservar a autonomia e a qualidade de vida da população idosa.

*Com informações da Assessoria MS