Política

Alagoas avança e deixa de ser lanterna isolada do analfabetismo

Em 2025, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais ficou em 13,1% em Alagoas

Por Blog de Edivaldo Junior 22/06/2026 13h01
Alagoas avança e deixa de ser lanterna isolada do analfabetismo
Alagoas foi o estado que mais reduziu a taxa de analfabetismo, segundo o IBGE - Foto: Assessoria

Alagoas ainda tem uma das maiores taxas de analfabetismo do país. Mas, pela primeira vez na série recente da PNAD Contínua Educação, do IBGE, o Estado já não aparece sozinho na última posição do ranking nacional.

Em 2025, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais ficou em 13,1% em Alagoas, o mesmo índice registrado pelo Piauí. O empate mantém os dois estados no pior patamar do país, mas muda uma leitura histórica: Alagoas deixou de ser a lanterna isolada do analfabetismo no Brasil.

O dado é relevante porque Alagoas partiu de uma situação pior e reduziu mais o indicador. Em 2016, o Estado tinha taxa de 18,3%. Em 2025, caiu para 13,1%. A redução foi de 5,2 pontos percentuais, a maior entre os estados brasileiros nesse período.

Em termos proporcionais, a queda também foi expressiva: 28,4%. O desempenho supera a média do Brasil, que reduziu o analfabetismo de 6,7% para 4,9%, queda de 26,9%, e a média do Nordeste, que saiu de 13,9% para 10,6%, redução de 23,7%.

No Piauí, a taxa passou de 16,2% em 2016 para os mesmos 13,1% em 2025. A queda foi de 3,1 pontos percentuais, ou 19,1%. Ou seja: os dois estados chegaram ao mesmo índice, mas Alagoas avançou mais no período.

Alagoas reduziu mais que Brasil e Nordeste

O avanço alagoano fica mais claro quando comparado com outros recortes. Enquanto Alagoas reduziu 5,2 pontos percentuais desde 2016, o Nordeste caiu 3,3 pontos e o Brasil, 1,8 ponto. Maceió também melhorou, mas em ritmo menor: a taxa da capital passou de 9,2% para 7,4%, queda de 1,8 ponto percentual, ou 19,6%.

A diferença mostra que o Estado conseguiu acelerar a redução do analfabetismo justamente onde o problema era mais grave. Não é um detalhe. Durante décadas, Alagoas carregou uma das marcas sociais mais duras do país, associada à pobreza, à baixa escolaridade e à exclusão de gerações inteiras do acesso à educação básica.

Ainda há um ponto que chama atenção. Entre pessoas com 60 anos ou mais, faixa em que o analfabetismo costuma ser mais resistente, Alagoas registrou taxa de 35,1% em 2025. O Piauí ficou com 35,2%. A diferença é mínima, de apenas uma casa decimal, mas reforça a tendência de melhora relativa do indicador alagoano.

O resultado não autoriza euforia. Alagoas continua muito acima da média nacional e ainda precisa enfrentar um passivo educacional pesado, especialmente entre adultos e idosos. Mas o dado permite, sim, reconhecer avanço.

A manchete não é que Alagoas resolveu o problema do analfabetismo. Está longe disso. A notícia é outra: o Estado começou a virar uma página histórica, deixou de ocupar sozinho a pior posição do país e apresentou a maior redução em pontos percentuais desde 2016.

Para quem já teve taxa acima de 30% no início dos anos 2000 e chegou a 24,3% no Censo de 2010, o índice de 13,1% em 2025 representa uma mudança importante de trajetória.

O desafio continua grande. Mas, desta vez, o número permite uma conclusão objetiva: Alagoas ainda está entre os piores, mas já não está parada no mesmo lugar e, tudo indica, que sairá logo dessa posição.

Principais dados

Alagoas deixou de ocupar sozinho a última posição do país na taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais.

Em 2025, o Estado registrou 13,1%, mesmo índice do Piauí. Em 2016, Alagoas tinha 18,3%, a maior taxa do Brasil.

A queda em Alagoas foi de 5,2 pontos percentuais entre 2016 e 2025. Foi a maior redução em pontos percentuais entre os estados brasileiros no período.

Em termos proporcionais, a taxa caiu 28,4% em Alagoas. O desempenho foi superior ao do Nordeste, que reduziu 23,7%, e também ao de Maceió, que caiu 19,6%.

O Brasil reduziu a taxa de 6,7% para 4,9%, queda de 1,8 ponto percentual. O Nordeste saiu de 13,9% para 10,6%, redução de 3,3 pontos percentuais.

Maceió também melhorou, mas em ritmo menor. A capital saiu de 9,2% em 2016 para 7,4% em 2025.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, Alagoas registrou 35,1% em 2025. O Piauí ficou com 35,2%. A diferença é mínima, mas reforça que Alagoas já não aparece isolado no pior indicador.


				Alagoas avança e deixa de ser lanterna isolada do analfabetismo
Tabela 1

Queda do analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais
Recorte | 2016 | 2025 | Queda em p.p. | Redução proporcional

Alagoas | 18,3% | 13,1% | 5,2 | 28,4%

Nordeste | 13,9% | 10,6% | 3,3 | 23,7%

Brasil | 6,7% | 4,9% | 1,8 | 26,9%

Maceió | 9,2% | 7,4% | 1,8 | 19,6%

Tabela 2

Analfabetismo entre pessoas de 60 anos ou mais

Recorte | 2016 | 2025 | Queda em p.p. | Redução proporcional

Alagoas | 46,2% | 35,1% | 11,1 | 24,0%

Nordeste | 40,0% | 29,7% | 10,3 | 25,8%

Brasil | 20,5% | 13,8% | 6,7 | 32,7%

Maceió | 27,1% | 19,2% | 7,9 | 29,2%

				Alagoas avança e deixa de ser lanterna isolada do analfabetismo

				Alagoas avança e deixa de ser lanterna isolada do analfabetismo