Geral
El Niño coloca Alagoas em alerta e mobiliza Estado e Prefeitura
Possível fenômeno climático leva Governo de Alagoas a reforçar ações de segurança hídrica, enquanto Prefeitura de Maceió foca em medidas para reduzir os impactos do calor
A possibilidade de formação de um novo episódio do El Niño colocou Alagoas em estado de atenção. Com previsões de alterações no regime de chuvas, órgãos estaduais e municipais iniciaram o planejamento de medidas para reduzir possíveis impactos sobre o abastecimento de água, a produção agrícola e a população.
Embora ainda não exista consenso sobre a intensidade do fenômeno, especialistas apontam que os reflexos tendem a ser mais expressivos no Agreste e no Sertão. O Governo Federal também instalou uma Sala de Situação Interministerial para acompanhar os prognósticos e coordenar ações preventivas.
Fenômeno pode alterar o regime de chuvas
Segundo o meteorologista da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Vinicius Pinho, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial interfere no transporte de umidade para o Nordeste, favorecendo a redução das chuvas na região.
"Quando as águas ficam mais quentes no Pacífico Equatorial, elas alteram o transporte de umidade da região amazônica. Esse fluxo é intensificado para o Sul do Brasil e diminuído para o Nordeste, fazendo com que haja menos combustível para a formação de chuva no semiárido nordestino", explica.
O especialista afirma que os modelos climáticos indicam a possibilidade de ocorrência do El Niño, mas ainda há incertezas quanto à sua intensidade.
"A maioria dos modelos climáticos mostra indicativos de que nós teremos um El Niño. Mas ainda existe muita incerteza de que esse El Niño será muito intenso. De qualquer forma, a gente já está se preparando para todos os cenários, incluindo o pior cenário possível", afirma.
Período chuvoso será decisivo para 2027
Apesar de os reservatórios apresentarem situação confortável, a Semarh alerta que mais de 70% da recarga hídrica anual ocorre durante o inverno. Por isso, uma redução significativa das chuvas poderá comprometer a disponibilidade de água ao longo do próximo ano, principalmente nas regiões do Agreste e Sertão.
Governo amplia ações de prevenção
Como estratégia para minimizar os efeitos de uma possível estiagem, o Governo de Alagoas reforçou o monitoramento climático por meio da Sala de Alerta, que acompanha em tempo real as condições meteorológicas dos 102 municípios.
Entre as principais iniciativas estão os microssistemas comunitários de abastecimento, o Programa Água Doce, a perfuração de poços artesianos e a expansão do Canal do Sertão. O Estado também informou que poderá criar uma comissão multidisciplinar para acompanhar a evolução do fenômeno caso os prognósticos indiquem agravamento do cenário.
Outra frente de atuação é a Política Estadual de Enfrentamento às Mudanças Climáticas, que prevê ações como a criação do Fórum Alagoano de Mudanças Climáticas, a implantação da Gerência de Mudanças Climáticas e a elaboração do Plano Estadual de Arborização Urbana. Na área rural, o governo também destaca o Garantia Safra e a implantação de cisternas para ampliar a segurança hídrica das famílias do semiárido.
Capital concentra medidas contra o calor extremo
Na capital, a Prefeitura de Maceió informou que as ações estão voltadas principalmente para a mitigação dos efeitos das altas temperaturas. Segundo a administração municipal, o monitoramento é realizado pela Defesa Civil e pelo Centro Integrado de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cimadec).
Entre as medidas citadas estão investimentos em arborização urbana, recuperação ambiental, revitalização de parques e áreas verdes, além da integração entre órgãos municipais e da parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) para aperfeiçoar o acompanhamento climático e subsidiar ações preventivas.


