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Socialite atropela ladrão três vezes e é condenada a 18 anos na Itália
Imagens de segurança registraram o momento em que a empresária passou com o veículo sobre um homem que havia acabado de furtar sua bolsa.
A Justiça italiana condenou a empresária e socialite Cinzia Dal Pino, de 67 anos, a 18 anos de prisão pela morte de um homem que havia furtado sua bolsa em Viareggio, na região da Toscana. A sentença foi anunciada nesta quinta-feira (11) e autoriza que a condenada cumpra a pena em prisão domiciliar, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que mostraram a mulher utilizando seu veículo para atropelar o marroquino Nourdine Mezgoui, em setembro de 2024.
Segundo a investigação, o homem já estava em fuga quando foi alcançado pela empresária. As gravações mostram o momento em que ela passa com seu SUV Mercedes sobre a vítima, que já se encontrava caída e inconsciente, antes de recuperar a bolsa e deixar o local sem prestar socorro.
A Promotoria sustentou que a ação configurou um ato de vingança e não uma situação de legítima defesa. Os promotores classificaram a conduta como uma forma de "justiça privada" e chegaram a pedir prisão perpétua para a acusada.
Já a defesa alegou que a empresária agiu na tentativa de recuperar seus pertences e pediu que a acusação fosse enquadrada como excesso negligente de legítima defesa.
Após a decisão, o advogado da socialite, Enrico Marzaduri, afirmou que pretendia um resultado diferente.
"Eu esperava um resultado diferente, tanto em termos da classificação legal quanto da severidade da pena."
O defensor confirmou que recorrerá da sentença.
Morte e repercussão
De acordo com os legistas responsáveis pelo caso, Nourdine Mezgoui morreu em decorrência de uma grave laceração da aorta abdominal, acompanhada de intensa hemorragia interna provocada pelos atropelamentos.
A divulgação das imagens gerou forte comoção na Itália e alimentou discussões sobre segurança pública, imigração irregular, legítima defesa e os limites da reação de vítimas de crimes.

Para críticos da conduta da empresária, a vítima já não representava ameaça quando foi atingida pelo veículo. Já setores da sociedade defenderam a acusada, argumentando que ela agiu após ter sido alvo de um assalto.
Com a condenação, o caso passa agora para a fase de recursos na Justiça italiana.


