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Aos 90 anos, idosa realiza sonho de aprender a escrever o nome
Moradora de Araruama, no Rio de Janeiro, dona Eunice ingressou na Educação de Jovens e Adultos para realizar um sonho adiado desde a infância.
Aos 90 anos, dona Eunice está vivendo uma experiência que esperou por quase toda a vida: frequentar a escola e aprender a escrever o próprio nome. Moradora de Araruama, no Rio de Janeiro, ela ingressou na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e emocionou milhares de pessoas ao compartilhar a alegria de finalmente ter acesso aos estudos.
Com uniforme escolar, tênis nos pés e muita timidez, dona Eunice atravessou a porta da sala de aula carregando um sonho cultivado durante décadas. A vontade de aprender a ler e escrever sempre esteve presente, mas as circunstâncias da vida impediram que ela tivesse acesso à educação na infância.
Hoje, aos 90 anos, a aposentada comemora cada avanço conquistado nos estudos. Entre os objetivos, um dos mais simbólicos é aprender a escrever o próprio nome, algo que durante anos representou uma frustração.
“O sonho era escrever pra tirar a identidade. Eu só botava o dedo, mas eu tinha uma vergonha. Ficava tudo assim sem graça”, relatou.
A nova rotina começou por meio da Educação de Jovens e Adultos, modalidade voltada para pessoas que não concluíram a escolarização na idade adequada. Para dona Eunice, entrar em uma sala de aula significou ocupar um espaço do qual sempre desejou fazer parte.
“Eu entrei pra poder fazer meu nome, eu não sabia fazer. Eu tentava aprender, mas não conseguia. Botava letra demais, botava letra de menos”, contou.
A falta de oportunidade para estudar remonta à infância. Segundo ela, a realidade da época era marcada por costumes que restringiam o acesso das meninas à educação.
“Eu não tive oportunidade porque naquele tempo o pessoal mais velho tinha aquela ignorância, porque as meninas não podiam estudar. Podiam trabalhar. Se fosse estudar ia escrever carta para o namorado”, disse.
Desde muito jovem, dona Eunice ajudava a família em atividades rurais. O trabalho no campo ocupou o lugar que poderia ter sido da escola.
“Eu ia mexer com a terra, criar um cabrito, criar um frango, plantar na roça, torrava farinha”, lembrou.
Apesar das dificuldades, ela nunca abandonou o desejo de aprender. Para a estudante, a educação representa independência, crescimento pessoal e novas possibilidades.
“A pessoa estudando sabe entrar em qualquer lugar e sair, tratar as pessoas bem, não falar ignorância com as pessoas”, afirmou.
A impossibilidade de ler placas, documentos e textos ao longo da vida sempre foi uma das maiores tristezas da idosa. Por isso, a oportunidade de estudar nesta fase da vida tem um significado que vai muito além da alfabetização.
“Sem estudar, você não chega em lugar nenhum, você não vai crescer. Fica difícil que nem eu, você só vai mexer com a terra e hoje em dia não pode. A gente que fica sem estudar é tão ruim”, desabafou.
Mesmo sem dominar completamente a leitura, dona Eunice já percebe mudanças em sua vida desde que começou a frequentar as aulas.
“Eu não sei ler ainda, mas mudou muito, mesmo depois dessa idade. Eu estudando mudou muito.”
A história da idosa tem emocionado internautas e reforçado a importância do acesso à educação em todas as fases da vida. Mais do que aprender letras e palavras, dona Eunice mostra que nunca é tarde para realizar um sonho.
