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Mãe Mirian será primeira ialorixá na Academia de Cultura de AL

Evento contará com celebração marcada por ancestralidade, música e tradições de matriz africana.

Por Agência Alagoas 22/05/2026 08h08
Mãe Mirian será primeira ialorixá na Academia de Cultura de AL
Academia Alagoana de Cultura abre espaço inédito para ancestralidade afro-brasileira - Foto: Daniel Borges/ Ascom Secult

A cultura de matriz africana em Alagoas viverá um marco histórico no dia 26 de maio de 2026, às 19h, com a posse de Mãe Mirian na Cadeira 34 da Academia Alagoana de Cultura. Reconhecida como Patrimônio Vivo de Alagoas, a ialorixá será a primeira representante dos povos de terreiro a integrar a instituição, ampliando a representatividade das tradições afro-brasileiras no cenário cultural do estado.

A cerimônia de posse será realizada na Sala de Música do Complexo do Teatro Deodoro, no Centro de Maceió, reunindo lideranças religiosas, movimentos negros, representantes culturais e a sociedade alagoana em uma celebração marcada pela ancestralidade, pelos atabaques e pela força das tradições afro-brasileiras.

Nascida em Piranhas, às margens do Rio São Francisco, Mirian Araújo Souza Melo veio ao mundo em 9 de junho de 1934 e construiu uma trajetória dedicada à preservação das religiões de matriz africana em Alagoas. Sua caminhada religiosa começou ainda na infância, atravessando décadas de resistência e superação das perseguições aos povos de terreiro, até se consolidar como uma das maiores referências da cultura afro-alagoana.

Em 2021, Mãe Mirian foi registrada no Livro de Tombo como Patrimônio Vivo pelas Religiosidades de Matrizes Africanas, reconhecimento que destaca sua dedicação à manutenção dos saberes ancestrais, da oralidade, dos rituais e das tradições que compõem a identidade cultural de Alagoas.

A posse contará com a presença do desembargador Tutmés Airan, reconhecido como o Primeiro Obá de Xangô de Alagoas, que será o padrinho da nova acadêmica e é conhecido pela defesa das religiões de matriz africana.

A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, ressaltou a importância simbólica e cultural da entrada de Mãe Mirian na Academia Alagoana de Cultura.

“Ver Mãe Mirian ocupando esse espaço é ver a história de muitos povos sendo reconhecida oficialmente. Ela carrega a memória, a resistência e a sabedoria ancestral de Alagoas”, destacou a secretária.

A cerimônia será aberta ao público, e os organizadores convidam a população a participar vestida de branco, em celebração à força da ancestralidade e ao reconhecimento das religiões de matriz africana como parte fundamental da cultura alagoana.