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Vorcaro é transferido para cela comum e tem visitas restritas

A decisão, assinada nesta segunda-feira (18) pelo ministro André Mendonça, relator do caso, obriga o banqueiro a cumprir as regras ordinárias da unidade

Por Sputnik Brasil com Redação 19/05/2026 06h06
Vorcaro é transferido para cela comum e tem visitas restritas
Foto: © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a transferência do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. A decisão, assinada nesta segunda-feira (18) pelo ministro André Mendonça, relator do caso, obriga o banqueiro a cumprir as regras ordinárias da unidade.

Vorcaro foi preso em 19 de março, acusado de fraude financeira que teria causado prejuízos superiores a R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Até então, ele estava em uma sala especial, na mesma sede onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido anteriormente.

Com a nova determinação, as visitas de advogados a Vorcaro foram limitadas a duas por dia, com duração máxima de 30 minutos cada e sem permissão para uso de instrumentos de trabalho. Antes, o acesso era liberado das 9h às 17h, sem restrições, conforme informou o site Metrópoles.

As mudanças ocorrem em meio a novos avanços nas investigações da PF, que colocaram em dúvida as negociações de Vorcaro para uma possível delação premiada envolvendo figuras do cenário político, como os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Na semana passada, o Intercept Brasil revelou que Vorcaro teria financiado, com cerca de R$ 61 milhões, o filme biográfico "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, há áudio de WhatsApp em que o senador Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro recursos para concluir o longa, em 8 de setembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro.

O Intercept também aponta que Flávio negociava um novo repasse de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na época). Entre os intermediários citados estão o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e Mario Frias, deputado federal (PL-SP) e ex-secretário de Cultura no governo Bolsonaro.

Em março, veio à tona que o cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, fez uma doação de R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro.

Outras mensagens reveladas pela imprensa indicam que Vorcaro pagava uma mesada ao senador e presidente do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, apontado pela PF como principal beneficiário das vantagens indevidas oferecidas pelo banqueiro. A investigação aponta que Ciro atuou para favorecer interesses do Banco Master.

O inquérito identificou pagamentos mensais, compra de participação societária com desconto, quitação de despesas pessoais e uso de bens de alto valor, além de repasses em dinheiro vivo, reforçando suspeitas de corrupção contínua.

Um dos principais episódios investigados é a emenda apresentada por Ciro Nogueira à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia Financeira do Banco Central, que aumentava o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a PF, o texto da emenda foi redigido pela assessoria do Banco Master e entregue ao senador em envelope.

Com informações de Sputinik Brasil