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Governo Trump quer tomar área católica para erguer muro na fronteira
Local de peregrinação entre Estados Unidos e México pode dar lugar a trecho de muro defendido pelo presidente americano.
O governo do presidente Donald Trump entrou na Justiça para desapropriar uma área ligada à Igreja Católica na fronteira entre Estados Unidos e México com o objetivo de ampliar o muro fronteiriço. A medida provocou reação da Diocese de Las Cruces, no Novo México, que acusa Washington de comprometer um tradicional espaço de peregrinação religiosa.
A ação judicial foi protocolada no último dia 7 de maio e envolve o Monte Cristo Rei, localizado na região conhecida como “tríplice fronteira” entre Texas, Novo México e o estado mexicano de Chihuahua. O local abriga uma grande estátua de Jesus Cristo voltada para o nascer do sol e recebe milhares de peregrinos todos os anos.
Segundo autoridades federais, a desapropriação seria necessária para a construção de mais de dois quilômetros adicionais do muro de fronteira. O governo americano argumenta que a região é utilizada por redes de tráfico humano e de drogas para a travessia ilegal de pessoas e entorpecentes.
Historicamente, a área montanhosa dificultou a instalação de barreiras contínuas por conta do relevo acidentado. Além disso, o espaço permaneceu aberto durante décadas para permitir o acesso de fiéis vindos dos dois lados da fronteira.
A Diocese Católica de Las Cruces pediu que a Justiça impeça a aquisição do terreno, avaliado em cerca de 5,7 hectares. Em documentos apresentados ao tribunal, a instituição afirmou que a obra poderia comprometer o caráter sagrado do local e afetar tradições religiosas mantidas há gerações.
“A construção de um muro na fronteira através ou ao longo deste local sagrado poderia danificar irreparavelmente sua santidade religiosa e cultural”, declarou a Igreja em trecho do processo.
A peregrinação ao Monte Cristo Rei reúne cerca de 40 mil pessoas durante a celebração da festa de Cristo Rei, realizada anualmente no outono americano. Muitos participantes percorrem os oito quilômetros da subida descalços, carregando cruzes ou ajoelhados como demonstração de fé.
O caso também amplia os atritos entre Trump e o Papa Leão XIV, que já divergiram publicamente sobre políticas migratórias e conflitos internacionais. O presidente americano acusou o pontífice de colocar católicos em risco ao não se posicionar sobre a guerra no Irã e criticou sua atuação política nas redes sociais.
A deputada democrata Veronica Escobar, representante de El Paso, criticou a decisão do governo e classificou a desapropriação como um desrespeito à comunidade local.
“Existem diversas outras maneiras de garantir a segurança da fronteira. Em vez disso, o governo Trump prefere destruir este local sagrado”, afirmou a parlamentar.


