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Enfermeira transforma luta contra o câncer em movimento de fé, acolhimento e esperança
“Trem da Lu” reuniu familiares, amigos e profissionais de saúde durante as 16 sessões de quimioterapia na Santa Casa Cancer Center
A vida da enfermeira Luciana Amorim ganhou um novo significado após o diagnóstico de câncer de mama, em 2025. Entre consultas, cirurgia, e 16 sessões de quimioterapia, nasceu o “Trem da Lu”, movimento marcado pelo acolhimento, pela fé e pela rede de apoio construída ao longo do tratamento no Santa Casa Cancer Center, em Maceió.
Na terça-feira (12), Dia Internacional da Enfermagem, Luciana, que é enfermeira obstétrica, concluiu a última sessão de quimioterapia e encerrou simbolicamente a trajetória do “Trem da Lu” com uma carreata até a Capelinha do Jaraguá. O momento reuniu familiares, amigos, profissionais de saúde e pessoas que acompanharam a caminhada da enfermeira durante os últimos meses.
Emocionada, ela descreveu a sensação de finalizar o tratamento como uma mistura de alívio, felicidade e gratidão. “Parecia muito distante chegar até aqui. Foi difícil, desafiador, houve muito medo, muito choro, mas hoje o sentimento é de alegria e felicidade por ter conseguido vencer mais essa etapa”, afirmou.
A ideia do “Trem da Lu” surgiu durante uma conversa com a irmã, Taciana Amorim, enquanto observavam o trem passar em frente à casa onde Luciana mora, no bairro de Jaraguá. A metáfora ganhou força ao longo do tratamento e transformou cada sessão de quimioterapia em um “vagão” carregado de histórias, reencontros e afeto.
“Eu moro em frente ao trilho do trem e entendemos que o câncer estava apenas de passagem na minha vida. Cada vagão representou uma parte da minha história, pessoas importantes, amigos da infância, colegas de trabalho, familiares, professores e grupos que fizeram parte da minha caminhada”, contou.
Enfermeira obstetra e especialista em saúde da mulher, Luciana destacou que viver o outro lado da assistência transformou sua forma de enxergar o cuidado. “Eu dediquei grande parte da minha vida a cuidar das pessoas. Quando precisei ser cuidada, entendi ainda mais a importância do acolhimento, da escuta e do amor em cada detalhe do tratamento”, disse.
Ela também aproveitou o momento para reforçar a importância do diagnóstico precoce e do autocuidado. “A mamografia salva vidas. O diagnóstico precoce salva vidas. O autocuidado salva vidas. Às vezes cuidamos tanto do outro que esquecemos de olhar para nós mesmos”, alertou.
ACOLHIMENTO – Gestora de Humanização da Santa Casa de Maceió e irmã de Luciana, Taciana Amorim acompanhou de perto toda a trajetória da paciente e afirmou que transformar o tratamento em momentos de acolhimento foi uma forma de enfrentar o medo sem perder a esperança.
“Receber um diagnóstico de câncer nunca é fácil. Houve medo, insegurança e muitos desafios, mas decidimos transformar cada etapa em um momento de esperança. O Trem da Lu nasceu justamente para mostrar que ela não estava sozinha”, afirmou.
Segundo Taciana, o movimento também acabou inspirando outras pessoas que enfrentavam o câncer ou passavam por situações semelhantes. “Ela conseguiu transformar a dor em força e inspiração. Muitas pessoas se sentiram acolhidas ao acompanhar essa caminhada”, destacou.
SINO DA ESPERANÇA – Inaugurado há três anos, o Santa Casa Cancer Center se tornou referência no atendimento oncológico em Alagoas, reunindo assistência multiprofissional, estrutura moderna e cuidado humanizado. A unidade já acompanhou centenas de histórias de superação, como a de pacientes que encerraram ciclos de tratamento tocando o tradicional Sino da Esperança, Símbolo utilizado em centros oncológicos para marcar o fim da quimioterapia.

Luciana Amorim celebra o fim das sessões de quimioterapia - Crédito: Santa Casa de Maceió
Localizado no bairro do Farol, o Cancer Center integra o complexo hospitalar da Santa Casa de Maceió e oferece consultas médicas e multidisciplinares, Day Clinic, quimioterapia, hematologia, exames laboratoriais e de imagem, além de procedimentos especializados, como ultrassonografia e biópsias guiadas.
Para Luciana, encerrar essa etapa representa mais do que uma vitória individual. “Essa vitória não é só minha. Ela pertence a todos que embarcaram comigo no Trem da Lu. O que essa travessia me ensinou é que, mesmo nos dias mais difíceis, o amor floresce pelo caminho e a fé continua sendo o trilho que nos sustenta”, concluiu.
SANTA CASA 175 ANOS – Em setembro, a Santa Casa de Maceió celebra 175 anos de fundação. Atualmente consolidada como um complexo hospitalar, a instituição reúne unidades como a Santa Casa Farol e a Santa Casa Nossa Senhora da Guia, oferecendo ambulatórios, prontos atendimentos 24 horas, centro de diagnósticos, terapia intensiva, assistência em cardiologia clínica e pós-operatório de cirurgias cardíacas.
Aliando tradição à inovação, o hospital também se destaca pela tecnologia do primeiro robô cirúrgico de Alagoas. Mais informações podem ser acessadas no site www.santacasademaceio.com.br


