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Sem banho há oito meses: família denuncia abandono de paciente psiquiátrica em Maceió
Morando com a mãe idosa no Benedito Bentes, mulher de 54 anos sofre com surtos de agressividade e automutilação enquanto parentes lutam por vaga em clínica
Uma família do bairro Benedito Bentes vive uma rotina de medo e impotência. Uma mulher de 54 anos, diagnosticada com transtornos psiquiátricos, está em surto psicótico contínuo e não recebe cuidados básicos de higiene há oito meses. O caso expõe a dificuldade de acesso ao sistema de saúde mental na capital alagoana.
A paciente mora sozinha com a mãe, uma idosa de 72 anos, que se tornou alvo frequente de insultos e comportamentos agressivos. Segundo os parentes, a mulher — que é formada em pedagogia e chegou a exercer a profissão — teve o quadro agravado por uma depressão severa. Hoje, além da agressividade, ela apresenta episódios de automutilação e alucinações.
O entrave da internação
A irmã da paciente, Lucimária Carnaúba, relata que a última internação da pedagoga ocorreu há mais de duas décadas. Desde então, a família tenta, sem sucesso, garantir um novo tratamento hospitalar. A barreira mais recente foi logística: após meses de espera, a família conseguiu uma vaga em uma clínica, mas a perdeu por não ter um transporte adequado para realizar a transferência da paciente em surto.
“Ela vê coisas, fala sozinha e se machuca. Está sem tomar banho há oito meses e eu não sei mais o que fazer”, desabafa Lucimária, ressaltando que a falta de higiene pessoal é um dos sinais mais dramáticos da gravidade do estado da irmã.
Falta de suporte público
O drama vivido no Benedito Bentes reflete uma queixa comum entre famílias de pessoas com transtornos mentais graves: a escassez de vagas e a falta de suporte para o transporte de pacientes em crise. Lucimária afirma que as famílias estão desamparadas pelo poder público e que o sofrimento é compartilhado por muitos que não conseguem o tratamento adequado.
Sem o auxílio de órgãos de saúde ou segurança para realizar a remoção e a internação, a paciente permanece em casa, oferecendo risco a si mesma e à mãe idosa, em um cenário de precariedade que se arrasta sem previsão de solução.
Com Gazeta Web.


