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Adolescente atropelada e hospitalizada na véspera de Natal recebe alta
A adolescente teve traumatismo cranioencefálico grave e outras complicações.
Na véspera de Natal de 2024, enquanto muitas famílias se preparavam para celebrar a data, a rotina de Elisângela Leite da Silva, 48 anos, foi interrompida por uma tragédia. Ao lado da filha, Joyce Roberta da Silva Paulino, hoje com 15 anos, ela seguia para retirar uma cesta básica no bairro Vergel do Lago, em Maceió, quando a adolescente foi atropelada.
O acidente transformou a vida da família. Joyce sofreu grave traumatismo cranioencefálico (TCE) e outras complicações clínicas, sendo socorrida em estado crítico para o Hospital Geral do Estado (HGE), maior unidade pública de urgência e emergência da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Assim começou uma longa batalha pela vida.
“Durante 1 ano e 4 meses, a adolescente permaneceu hospitalizada, parte do tempo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica, onde recebeu assistência contínua de uma equipe multidisciplinar formada por pediatras, cirurgiões, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, intensivistas, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais”, detalhou o pediatra do HGE, Roney Damacena.
Nesta quarta-feira (6), a espera chegou ao fim. Joyce recebeu alta hospitalar e voltou para casa com suporte de home care, fundamental para continuidade do tratamento e reabilitação. “Eu esperei muito por esse dia. Passei noites chorando, pedindo a Deus que minha filha voltasse para mim. Hoje, estou saindo daqui com ela nos braços do meu coração. O melhor presente de Dia das Mães chegou antes”, afirmou Elisângela, emocionada.
HGE registra aumento nos casos de atropelamento em 2026
O traumatismo cranioencefálico é uma das lesões mais graves provocadas por acidentes de trânsito. O TCE ocorre quando há impacto direto na cabeça, podendo causar sangramentos, inchaço cerebral, perda de consciência, sequelas motoras e cognitivas, além do risco de morte.
Segundo Roney Damacena, o caso de Joyce exigiu cuidados intensivos desde a chegada ao hospital. “Ela chegou em estado crítico e precisou de acompanhamento integral. Casos como esse demandam resposta rápida, tecnologia e atuação conjunta de várias especialidades. Cada pequena evolução foi celebrada por todos nós”, destacou o médico.
Os acidentes de trânsito permanecem entre as principais causas de internações e mortes no país. Dados do Ministério da Saúde indicam que milhares de brasileiros perdem a vida anualmente em ocorrências nas vias urbanas e rodovias, enquanto centenas de milhares necessitam de atendimento hospitalar, sobrecarregando o sistema público de saúde.
No HGE, de janeiro a abril de 2026, foram registrados 2.178 acidentes de trânsito, sendo 938 colisões, 827 acidentes de moto, 174 atropelamentos, 125 acidentes de bicicleta e 44 capotamentos. No mesmo período de 2025, foram 1.901 casos (884 colisões, 742 acidentes de moto, 126 atropelamentos, 106 acidentes de bicicleta e 43 capotamentos). Em todo o ano de 2025, a unidade contabilizou 5.943 ocorrências, enquanto em 2024 foram 5.525 registros.
“Entre crianças e adolescentes, os atropelamentos estão entre os registros mais preocupantes, especialmente em áreas urbanas com vulnerabilidade social e infraestrutura precária. A falta de calçadas seguras, ausência de faixas de pedestres, iluminação deficiente, sinalização insuficiente, excesso de velocidade, circulação intensa de veículos e falta de espaços adequados para lazer aumentam os riscos, já que muitas famílias se deslocam a pé diariamente, expondo menores a perigos constantes”, alertou o pediatra do HGE.
Direitos garantidos e acolhimento social
Além do atendimento médico, a família de Joyce também necessitou de amparo social. Em situação de vulnerabilidade financeira, social e habitacional, os parentes receberam acolhimento e acompanhamento do Serviço Social do HGE, que articulou a garantia de direitos fundamentais para continuidade do cuidado.
Entre as medidas viabilizadas, estiveram encaminhamentos para benefícios assistenciais, acesso a suporte domiciliar, orientações socioassistenciais e fortalecimento da rede de proteção à paciente e seus familiares.
A assistente social Vanessa Azevedo ressaltou que o cuidado vai além da alta médica. “Quando falamos em saúde, também falamos em dignidade. Nosso papel foi assegurar que Joyce retornasse para casa com estrutura mínima de cuidado, acompanhamento e proteção social para que a recuperação continue no ambiente familiar”, afirmou.
Durante a internação, a rede de apoio familiar foi fundamental. A tia de Joyce, Magnólia da Silva, 45 anos, acompanhou de perto o sofrimento e a esperança da família. Ela relata que foram meses difíceis, mas nunca perdeu a esperança de ver a sobrinha sair da UTI. “Somos muito gratos a cada profissional que segurou na mão dela e da nossa família. Hoje, saímos daqui renovadas e com o coração cheio de gratidão”, declarou.
HGE é referência para os alagoanos
Referência em urgência, trauma e alta complexidade, o HGE atende pacientes de todas as regiões de Alagoas, sendo decisivo em ocorrências graves como acidentes de trânsito, AVCs, queimaduras e outras emergências. No caso de Joyce, a estrutura hospitalar e o empenho dos profissionais foram determinantes para transformar um cenário de incerteza em esperança.
Ao deixar a unidade hospitalar nesta quarta-feira, Elisângela abraçou os profissionais que considera como parte da família. Com os olhos marejados, já fazia planos simples e preciosos. “Eu só quero chegar em casa, abraçar minha menina e agradecer. Neste Dia das Mães, o que eu mais queria era estar juntinho dela. Agora vamos ficar. Obrigada, HGE”, despediu-se Elisângela.


