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Programas sociais chegam a 40% dos lares em Alagoas, aponta IBGE

Estado registra a quarta maior proporção de beneficiários do país; apesar de recorde na renda do trabalho, abismo entre ricos e pobres persiste

Por Redação com agências 08/05/2026 11h11
Programas sociais chegam a 40% dos lares em Alagoas, aponta IBGE
Dinheiro - Foto: José Cruz/Agência Brasil

Novos dados da PNAD Contínua 2025, divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE, revelam a profunda dependência socioeconômica de Alagoas em relação aos auxílios governamentais. No último ano, 41,7% dos domicílios alagoanos possuíam ao menos um beneficiário de programas como Bolsa Família ou BPC — um índice que coloca o estado na quarta posição nacional e representa quase o dobro da média brasileira (22,7%).

O levantamento mostra que 477 mil lares sobrevivem com o suporte de transferências de renda. O Bolsa Família é o pilar central dessa rede, alcançando 32,8% das residências. Embora o estado tenha vivido um pico de dependência em 2020 devido à pandemia (50,1%), o indicador voltou a subir nos últimos dois anos, sinalizando que a vulnerabilidade social permanece alta na região.

O paradoxo da renda


A pesquisa apresenta um cenário de contrastes. Por um lado, Alagoas atingiu o maior valor da série histórica no rendimento médio do trabalho, que chegou a R$ 2.531 (alta de 5,8% em relação a 2024). Pela primeira vez, o rendimento do trabalhador alagoano superou a média do Nordeste (R$ 2.475).

Por outro lado, essa riqueza não é distribuída de forma equânime. Enquanto o rendimento total médio subiu, as fatias mais pobres da população viram seus ganhos encolherem. Entre os 10% que menos ganham, a renda caiu de R$ 178 para R$ 168 mensais. Esse fenômeno mantém Alagoas com o sexto maior índice de desigualdade (Gini) do Brasil, superando as médias nacional e regional.

Peso no orçamento familiar


A relevância dos programas sociais é nítida na composição do orçamento: eles representam 10% de todo o rendimento domiciliar per capita no estado, enquanto no restante do país essa fatia é de apenas 3,5%. Em contrapartida, a participação do trabalho na renda total perdeu espaço, recuando de 68,4% para 66,2% em um ano.

Mesmo com avanços estatísticos nos recordes de rendimento, Alagoas encerrou 2025 com o quarto menor rendimento médio de todas as fontes do país (R$ 2.281), evidenciando que, embora a economia local esteja gerando mais recursos, o estado ainda luta para desatar os nós da pobreza extrema e da má distribuição de renda.