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Especialistas da Uncisal orientam como identificar sinais de autismo na infância

Equipe do CER III explica quando buscar avaliação e destaca a importância da intervenção precoce no desenvolvimento infantil

Por Assessoria 28/04/2026 10h10 - Atualizado em 28/04/2026 10h10
Especialistas da Uncisal orientam como identificar sinais de autismo na infância
Psicóloga Fernanda Barreto explica que não existe um padrão único, o que exige um olhar atento para o comportamento da criança - Foto: Ascom Uncisal

Dificuldades na comunicação, no contato visual e na interação social podem surgir ainda nos primeiros anos de vida e gerar dúvidas nas famílias sobre o desenvolvimento infantil. Diante desse cenário, especialistas do Centro Especializado em Reabilitação (CER III) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) explicam quais sinais merecem atenção, quando procurar avaliação profissional e como o acompanhamento adequado pode influenciar diretamente a evolução da criança.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta de diferentes formas e intensidades. A psicóloga Fernanda Barreto explica que não existe um padrão único, o que exige um olhar atento para o comportamento da criança ao longo do tempo.

“O autismo se caracteriza por padrões de interesse restritos e comportamentos repetitivos, mas ele é um espectro justamente porque cada criança vai apresentar isso de forma diferente”, afirma a psicóloga. Segundo Fernanda Barreto, mais do que observar situações isoladas, é necessário considerar o conjunto de comportamentos e buscar avaliação especializada quando algo foge do esperado.

Entre os sinais que podem indicar a necessidade de investigação estão a dificuldade de manter contato visual, pouco interesse em interações sociais, atraso na fala e dificuldades no brincar compartilhado. A fonoaudióloga Cecília Marques destaca que muitas famílias percebem esses indícios, mas acabam adiando a busca por ajuda.

A fonoaudióloga afirma que, ao notar algo diferente, o ideal é procurar orientação profissional o quanto antes, mesmo que posteriormente se confirme que o desenvolvimento está dentro do esperado. Para a especialista, a antecipação dessa avaliação evita perda de tempo em uma fase decisiva do desenvolvimento.

A intervenção precoce é apontada como um dos fatores mais importantes no acompanhamento de crianças com TEA. O terapeuta ocupacional Thiago Eudes chama atenção para estudos que indicam a presença de sinais ainda nos primeiros meses de vida. 

“Quanto mais cedo a gente identifica e começa a intervir, maiores são as possibilidades de desenvolvimento dessa criança”, diz Thiago Eudes. O terapeuta ocupacional explica que sinais como ausência de sorriso social, dificuldade de contato visual e reações sensoriais atípicas já podem ser percebidos antes dos dois anos, o que reforça a importância de um olhar atento desde a primeira infância.

Atendimento multidisciplinar


No CER III da Uncisal, o atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar que atua de forma integrada para atender às diferentes necessidades da criança. A terapia ocupacional trabalha aspectos relacionados à autonomia e às atividades do dia a dia; a fonoaudiologia atua no desenvolvimento da comunicação; e a psicologia acompanha o comportamento e o desenvolvimento emocional. Esse trabalho conjunto permite a construção de estratégias individualizadas, considerando as características de cada paciente.

Dentro desse processo, a família tem papel central. A psicóloga Fernanda Barreto observa que o desenvolvimento não acontece apenas durante as sessões terapêuticas, mas em todos os ambientes em que a criança está inserida. Segundo ela, quando os responsáveis participam ativamente e aplicam orientações no cotidiano, os avanços tendem a ser mais consistentes.

A fonoaudióloga Cecília Marques acrescenta que pequenas ações do dia a dia podem contribuir significativamente para o desenvolvimento da criança, a exemplo de incentivar a autonomia e promover interações. Outro ponto de atenção destacado pelos especialistas é o uso excessivo de telas. Embora não seja causa do autismo, o hábito pode prejudicar o desenvolvimento infantil.

"A criança precisa de interação, de troca, de brincar. A tela não oferece isso”, afirma Cecília. Thiago Eudes complementa que a exposição prolongada reduz oportunidades de exploração do corpo e do ambiente, o que impacta habilidades motoras, cognitivas e sociais.

Mitos sobre o autismo

A equipe também alerta para a circulação de informações equivocadas sobre o tema. Entre os mitos mais comuns está a ideia de que o autismo tem cura. Os profissionais explicam que o TEA não é uma doença, mas uma condição do neurodesenvolvimento, e que o objetivo das intervenções é ampliar a funcionalidade e a qualidade de vida.

Outro equívoco recorrente é o receio em relação ao uso da comunicação alternativa, como estratégias que utilizam figuras, gestos ou aplicativos para ajudar a criança a se expressar. Muitos familiares temem que esse recurso impeça o desenvolvimento da fala, mas, segundo os especialistas, ele pode ampliar as possibilidades de comunicação e, em alguns casos, até estimular o surgimento da linguagem verbal.

Além disso, o diagnóstico em meninas ainda tende a acontecer mais tardiamente. Isso ocorre, segundo os profissionais, porque muitas conseguem disfarçar dificuldades sociais, o que pode atrasar a identificação do transtorno. Esse cenário exige atenção redobrada para sinais mais sutis.

A orientação dos especialistas é clara: diante de qualquer dúvida sobre o desenvolvimento infantil, o mais indicado é buscar avaliação com profissionais qualificados. A identificação precoce e o acompanhamento adequado podem fazer diferença significativa na trajetória da criança.

O conteúdo sobre o transtorno do espectro autista foi abordado por profissionais do CER III da Uncisal em episódio recente do UnciCast, podcast institucional da universidade, disponível no canal do YouTube: