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Bloqueio no Estreito de Ormuz ameaça fornecimento de fertilizantes e acende alerta global

Segundo o Financial Times, comerciantes alertam que o mundo opera "com tempo emprestado"

Por Sputnik Brasil com Redação 22/04/2026 05h05
Bloqueio no Estreito de Ormuz ameaça fornecimento de fertilizantes e acende alerta global
Foto: © Pedro Revillion/ Palácio Piratini

O bloqueio do fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz está elevando o risco de uma crise alimentar global, à medida que o aumento dos preços do gás natural pressiona a produção de fertilizantes e setores industriais competem com a agricultura por insumos e logística. A análise foi publicada pela mídia britânica nesta quarta-feira (22), destacando os impactos da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã.

Segundo o Financial Times, comerciantes alertam que o mundo opera "com tempo emprestado", já que gargalos energéticos rapidamente se transformam em ameaças à segurança alimentar.

O estreito é responsável por cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) e por um terço do comércio marítimo de fertilizantes, tornando-se um ponto crítico para a produção global de alimentos.

A redução do fluxo de GNL já restringe o consumo industrial, especialmente em fábricas de fertilizantes, que respondem por cerca de 40% da queda na demanda desde o início dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, no fim de fevereiro.

Como o gás natural é matéria-prima essencial para fertilizantes nitrogenados, a oferta limitada ameaça diretamente a produção agrícola. Especialistas ressaltam que, sem uma rápida normalização, a crise energética pode evoluir para uma crise alimentar, elevando preços e reduzindo colheitas nas próximas safras.

O conflito no Oriente Médio também impacta a logística global. O fechamento do Estreito pelo Irã e o bloqueio naval dos EUA provocaram congestionamentos em rotas alternativas, como o Canal do Panamá, onde petroleiros disputam espaço com navios graneleiros, aumentando custos e tempos de espera para até 40 dias.

Como consequência, o frete de cargas agrícolas — sobretudo grãos — subiu entre 50% e 60%, pressionando agricultores norte-americanos que já enfrentam dificuldades para competir com países de menor custo, como o Brasil. As margens ficam mais estreitas e o acesso a mercados emergentes se torna ainda mais desafiador.

O aumento do custo do combustível marítimo agrava o cenário, levando navios a reduzir velocidade e diminuindo a capacidade efetiva do transporte global de granéis. Essa combinação introduz ineficiências em toda a cadeia logística, ampliando o risco de desabastecimento e de aumento dos preços dos alimentos.

Segundo a mídia britânica, comerciantes agrícolas alertam que o mercado ainda não precificou totalmente uma interrupção prolongada no fornecimento de fertilizantes e insumos essenciais. A expectativa de um conflito breve levou investidores a subestimar o impacto potencial, mas mesmo seis meses adicionais de bloqueio podem afetar o ciclo agrícola de 2027.

Além disso, cresce a disputa por insumos críticos, como o enxofre, que vem sendo direcionado para setores industriais de maior valor agregado, deixando os produtores de fertilizantes em desvantagem.