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Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia e questiona ameaça do Irã

Trump foi eleito criticando as intervenções militares dos EUA no Oriente Médio e a participação da Casa Branca em conflitos como o da Ucrânia

Por Agência Brasil com Redação* 17/03/2026 15h03
Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia e questiona ameaça do Irã

O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (EUA), Joseph Kent, anunciou nesta terça-feira (17) sua renúncia ao cargo, em protesto contra a guerra no Irã promovida pelo governo de Donald Trump em parceria com Israel.

Em comunicado, Kent justificou sua decisão: “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação, e é claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby”, afirmou o agora ex-diretor, que era vinculado ao Escritório Nacional de Inteligência dos EUA (DNI).

Kent ressaltou que apoiou os “valores” e políticas defendidas por Trump nas campanhas eleitorais, especialmente quando o então candidato criticava as guerras no Oriente Médio, classificando-as como “uma armadilha que roubava da América as preciosas vidas de nossos patriotas”.

No entanto, segundo o ex-assessor da Casa Branca, Trump teria sido influenciado, durante o atual mandato, por altos funcionários israelenses e por membros influentes da mídia, que o teriam pressionado a adotar uma postura beligerante contra o Irã.

“Essa câmara de eco foi usada para enganá-lo, fazendo-o acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos EUA e que, se atacasse agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isso foi uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque”, completou Kent, veterano de guerra.

Trump foi eleito criticando as intervenções militares dos EUA no Oriente Médio e a participação da Casa Branca em conflitos como o da Ucrânia — postura que tem levado parte de sua base de apoio a condenar a ofensiva militar contra o Irã.

Veterano de guerra

Joseph Kent serviu o Exército dos EUA por 20 anos, com passagem por 11 destacamentos em zonas de conflito no Oriente Médio. Ele se aposentou das Forças Armadas em 2018 e perdeu a esposa, Shannon Kent, militar da Marinha, em um atentado na Síria.

“[Perdi] minha amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel. Não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano”, afirmou Kent.

O ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo estava subordinado à diretora do Escritório Nacional de Inteligência (DNI) da Casa Branca, Tulsi Gabbard. O DNI coordena toda a comunidade de inteligência dos EUA, assessorando a Casa Branca e demais órgãos de segurança.

Motivos da guerra

Em março de 2025, antes do primeiro ataque dos EUA e Israel contra o Irã, a chefe do DNI negou que o Irã estivesse construindo uma arma nuclear, contrariando alegações de Trump e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Analistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que a acusação de desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã seria um “pretexto” para derrubar o governo de Teerã.