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Alagoas registra 3º maior aumento de internações por endometriose
Estado teve crescimento de 127% entre 2023 e 2025, segundo dados do Ministério da Saúde
Alagoas apresentou o terceiro maior crescimento do país nas internações de mulheres para tratamento de endometriose nos últimos dois anos. Dados do Ministério da Saúde indicam aumento de 127% entre 2023 e 2025. Nesta sexta-feira (13), quando é celebrado o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da doença.
As informações são do Datasus. Em 2025, o Brasil registrou 20.815 internações relacionadas ao tratamento da endometriose, número 30% superior ao observado em 2023, quando foram contabilizados 15.962 procedimentos. Em Alagoas, o crescimento foi bem acima da média nacional: os registros passaram de 144 internações para 328 no período analisado.
O ginecologista e obstetra da Unimed Maceió, Vitor Costa, explica que a endometriose é uma doença inflamatória caracterizada pelo crescimento de um tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero — fora da cavidade uterina.
“As causas da endometriose ainda não são totalmente conhecidas, mas existem algumas hipóteses, como a chamada menstruação retrógrada, quando parte do fluxo menstrual retorna pelas trompas e se deposita na cavidade abdominal. Também há fatores genéticos e alterações do sistema imunológico que podem favorecer o surgimento da doença”, detalha o médico.
Entre os sintomas mais frequentes estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica recorrente, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar ou urinar durante o período menstrual e dificuldade para engravidar. O diagnóstico costuma envolver avaliação clínica e exames de imagem, como ultrassom especializado e ressonância magnética.
O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas, a idade da paciente e o desejo de engravidar. As alternativas incluem medicamentos hormonais, cirurgia e mudanças no estilo de vida, como a prática de exercícios físicos e a adoção de uma alimentação com menor potencial inflamatório.
Especialista em endometriose, Vitor Costa destaca que o acompanhamento médico é essencial para o controle da doença.
“Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Apesar de ser uma condição crônica, a endometriose pode ser controlada, e a qualidade de vida pode ser mantida com diagnóstico precoce e tratamento adequado. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar complicações. A mulher não precisa conviver com dor como se fosse algo normal”, afirma.
Mobilização
O Dia Nacional de Luta contra a Endometriose foi instituído por lei em 2022 e é celebrado em 13 de março. A data tem o objetivo de ampliar a conscientização sobre os impactos da doença e incentivar o diagnóstico precoce.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), cerca de 7 milhões de mulheres convivem com a condição no país, o equivalente a aproximadamente uma em cada dez em idade reprodutiva. O levantamento também indica que mais de 60% das mulheres ainda desconhecem os sintomas da doença.
*Com informações da Assessoria


