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Quem é o homem no centro da disputa bilionária das Pernambucanas
A disputa bilionária que envolve herança, união estável e o controle das Pernambucanas enquanto a empresária permanece em coma há quase dez anos
Artur Miceli, 31 anos, tornou-se um dos protagonistas de uma das disputas judiciais mais complexas e milionárias do país. No centro do embate está a história de Anita Harley, herdeira do tradicional grupo varejista Casas Pernambucanas, e uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões.
Desde novembro de 2016, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), Anita permanece em coma. Há quase dez anos internada em uma UTI, vive uma condição descrita pela diretora do documentário O Testamento, Camila Appel, como um “grande pesadelo”: clinicamente viva, porém incapaz de se comunicar ou tomar decisões sobre a própria vida e patrimônio.
A batalha judicial em torno de sua herança, do controle das Pernambucanas e de sua vida pessoal é tema da série documental O Testamento – O Segredo de Anita Harley, lançada no Globoplay. A produção reúne depoimentos de personagens centrais da disputa, entre eles o próprio Artur.
Filho biológico de Sônia Soares, conhecida como Suzuki, Artur viu sua vida ser exposta quando, um ano após a internação de Anita, sua mãe ingressou na Justiça pleiteando o reconhecimento de união estável com a empresária, alegando que as duas viveram juntas por 36 anos. A Justiça reconheceu a relação.
Na mesma decisão, Artur foi reconhecido como filho socioafetivo de Anita — condição que o coloca como herdeiro legítimo. No documentário, ele afirma que a disputa o obrigou a provar sua própria história e os vínculos que diz ter construído ao longo da vida.
“Essencialmente, eu sou um filho”, declara. Segundo ele, assumir a narrativa é uma forma de recuperar sua identidade diante das acusações. “É muito ruim você ter que provar que você existe. Que você teve uma família, que foi amado. Parece que eu sou apenas um produto criado para buscar uma herança”, desabafa.
Sônia e Anita viveram por décadas em uma mansão de 96 cômodos e 37 banheiros, no bairro da Aclimação, em São Paulo — imóvel avaliado em cerca de R$ 50 milhões e doado por Anita à companheira. Questionada no documentário sobre o tempo de convivência, Sônia respondeu de forma direta: “36 anos. Até o AVC.” Ao ser perguntada se ainda ama Anita, foi categórica: “Muito.”
A versão, no entanto, é contestada por Cristine Rodrigues, ex-funcionária que também reivindica judicialmente o reconhecimento de união estável com a empresária. “Ela é minha companheira de vida”, afirma.
Cristine rejeita a possibilidade de Anita ter mantido duas relações simultâneas. “Ninguém pode estar em dois lugares. Será que não dá pra entender?”, questiona.
Ela também contesta o reconhecimento de Artur como filho socioafetivo. Segundo Cristine, Anita sempre foi extremamente generosa, ajudando financeiramente funcionários e pessoas próximas, mas jamais teria tratado Artur como filho.
“Ela tratava bem, como se trata uma criança que mora na sua casa. Pagava estudos de muita gente, dava casas, carros. Era muito generosa. Mas nunca se referiu a ele como filho. Se ele disser isso, está mentindo”, declarou.
Enquanto Anita permanece em silêncio involuntário, incapaz de confirmar ou negar qualquer versão, a disputa segue nos tribunais — transformando memórias, afetos e interpretações do passado no centro de uma batalha bilionária.
*Com informações do Fantástico


