Geral

Condenada pelo assassinato dos pais, Suzane von Richthofen assume administração de herança de R$ 5 milhões

Carmem Magnani, prima de Miguel Abdalla, disputava com Suzane, sobrinha dele, o direito de administrar os bens do médico morto. Solteiro e sem filhos, ele não deixou testamento

Por Redação* 06/02/2026 11h11 - Atualizado em 06/02/2026 11h11
Condenada pelo assassinato dos pais, Suzane von Richthofen assume administração de herança de R$ 5 milhões
Suzane von Richthofen já controla bens de tio falecido - Foto: Reprodução

Suzane von Richthofen, condenada por mandar matar os próprios pais em 2002, foi nomeada pela Justiça de São Paulo como inventariante do espólio do médico Miguel Abdalla Netto, seu tio, encontrado morto em janeiro na casa onde morava, no bairro do Campo Belo, zona sul da capital.

Na decisão, a juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões, afirmou que o histórico criminal de Suzane não tem relevância jurídica no processo de inventário. Segundo a magistrada, como não houve manifestação de interesse do outro herdeiro, ela é a única pessoa apta a exercer o múnus, isto é, o dever legal de administrar o espólio.

Miguel Abdalla Netto morreu aos 76 anos, era solteiro, não tinha filhos e não deixou testamento. Pela legislação sucessória, a herança deve ser transmitida aos sobrinhos vivos — Suzane e o irmão dela, Andreas von Richthofen. O patrimônio é estimado em cerca de R$ 5 milhões e inclui dois imóveis e um carro.

A decisão judicial também rejeitou, neste momento, a pretensão da empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico, que disputava com Suzane o direito de administrar os bens até a conclusão da partilha. A defesa de Carmem informou que irá recorrer e afirmou ter sido surpreendida com a decisão antes do fim do prazo, que se encerra em 10 de fevereiro, para a apresentação de documentos que, segundo os advogados, comprovariam uma união estável entre ela e Miguel — relação que ele negava em vida.

Miguel era irmão de Marísia von Richthofen, assassinada em 2002 ao lado do marido, Manfred. Suzane foi condenada pelo crime, assim como Daniel Cravinhos, então seu namorado, e o irmão dele, Cristian. Após o assassinato, Miguel chegou a ser tutor de Andreas, mas os dois romperam a relação anos depois. O médico também havia contratado advogados para tentar impedir Suzane de receber a herança dos pais. Em 2015, a Justiça declarou Suzane indigna, transferindo integralmente o patrimônio dos von Richthofen, estimado em R$ 10 milhões, apenas para Andreas.

Como inventariante, Suzane passa a ser responsável por administrar e preservar os bens do tio até a conclusão do inventário. A função não a torna automaticamente herdeira, embora ela possa pleitear esse direito no processo. Até lá, ela não pode vender, transferir ou usufruir do patrimônio, devendo prestar contas à Justiça de todos os atos praticados, sempre sob supervisão judicial.

Nesta semana, Carmem registrou um boletim de ocorrência acusando Suzane de retirar, sem autorização judicial, itens da casa de Miguel, como um carro, uma máquina de lavar, um sofá e uma cadeira. Segundo o registro, documentos e dinheiro também teriam desaparecido. A Polícia Civil investiga se houve invasão e furto no imóvel.

A causa da morte do médico segue em apuração. A principal hipótese é infarto, mas o caso ainda é tratado como suspeito. Carmem obteve autorização policial para liberar o corpo e realizar o sepultamento no interior de São Paulo. Suzane também compareceu à delegacia com o mesmo pedido, mas não foi autorizada, pois chegou depois.

A reportagem tenta contato com a defesa de Suzane. A advogada de Andreas informou, em ocasiões anteriores, que nem ela nem o cliente irão comentar o caso.

*Com informações do G1