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Lancheira inteligente ajuda na saúde e no rendimento escolar das crianças

Escolhas nutritivas no lanche podem influenciar atenção, comportamento e aprendizado ao longo do dia

Por Redação* 05/02/2026 11h11
Lancheira inteligente ajuda na saúde e no rendimento escolar das crianças
Especialista do Hospital Sírio-Libanês mostra como eliminar ultraprocessados e melhorar o rendimento escolar com escolhas fáceis e acessíveis - Foto: Freepik

Biscoitos recheados, bolinhos industrializados e sucos de caixinha ainda são presença comum em muitas lancheiras escolares, mas esse tipo de alimentação pode interferir diretamente na saúde, no comportamento e até no desempenho escolar das crianças. Especialistas alertam que é possível montar uma lancheira equilibrada, nutritiva e acessível com escolhas simples e planejamento básico.

De acordo com a endocrinologista pediátrica Natália Bernardes, do Hospital Sírio-Libanês, o lanche escolar representa entre 20% e 30% da ingestão diária de nutrientes da criança. “Quando bem planejada, a lancheira contribui para o controle da glicemia, do apetite e da saciedade, além de impactar positivamente a atenção, a memória e o rendimento escolar”, explica.

A médica destaca que refeições desequilibradas favorecem picos glicêmicos, aumento de gordura corporal e processos inflamatórios, além de elevarem o risco futuro de obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2. “Dietas ricas em açúcar e aditivos também estão associadas à irritabilidade, fadiga, dificuldade de concentração e maior incidência de infecções, por alterarem a microbiota intestinal”, completa.

Segundo a especialista, uma lancheira saudável não precisa ser complicada. O ideal é equilibrar carboidratos, proteínas e fibras, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados. “Uma combinação prática é preencher metade da lancheira com frutas, legumes ou tubérculos; um quarto com proteínas, como ovo, iogurte natural ou frango; e o restante com carboidratos de boa qualidade, como pães ou bolos caseiros simples. Essa proporção garante energia e saciedade durante o período escolar”, orienta.

Pequenas substituições no dia a dia ajudam a reduzir o consumo de ultraprocessados — que hoje representam cerca de 25% da alimentação do brasileiro. Biscoitos recheados podem ser trocados por frutas com castanhas; sucos industrializados por água e fruta inteira; salgadinhos por pipoca caseira ou snacks assados de legumes e grão-de-bico; e bolinhos prontos por preparações feitas em casa. “Muitos produtos vendidos como ‘fit’ ou ‘infantis’ têm alto teor de açúcar e baixo valor nutricional. Preparações caseiras costumam ser mais saudáveis e, muitas vezes, mais econômicas”, ressalta Natália.

A hidratação também é apontada como fator essencial. Manter a água como bebida principal favorece a concentração, a memória e a disposição, enquanto bebidas açucaradas tendem a provocar picos de energia seguidos de cansaço.

Para famílias com rotina corrida, a organização é fundamental. “Planejar o cardápio, deixar frutas higienizadas e porcionadas e preparar alguns itens-base no fim de semana facilita as escolhas e diminui a dependência de produtos industrializados. A alimentação saudável precisa ser possível dentro da rotina da família”, reforça a endocrinologista.

Alguns sinais podem indicar que o lanche não está adequado, como fome excessiva após a escola, irritabilidade frequente, cansaço, dificuldade de concentração, ganho de peso ou queda no crescimento. Nessas situações, a recomendação é buscar orientação profissional.

“A lancheira equilibrada não substitui uma alimentação inadequada ao longo do dia, mas faz parte de um conjunto que inclui café da manhã saudável, almoço balanceado, sono de qualidade e controle do tempo de tela. Os hábitos construídos na infância tendem a acompanhar a pessoa por toda a vida”, conclui a especialista.

*Com informações da Assessoria