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Profissionais do Hospital Veredas protestam contra salários atrasados: 'pessoas sem dinheiro para comer'

Manifestação ocorre em frente à unidade, no Farol, nesta quarta-feira (4); trabalhadores denunciam descumprimento de direitos trabalhistas e do 13º salário

Por Danilo Silva* 04/02/2026 11h11 - Atualizado em 04/02/2026 12h12
Profissionais do Hospital Veredas protestam contra salários atrasados: 'pessoas sem dinheiro para comer'
Profissionais do Hospital Veredas protestam novamente por seis meses de salários atrasados - Foto: Reprodução

Trabalhadores do Hospital Veredas, localizado no bairro do Farol, em Maceió, voltaram a protestar na manhã desta quarta-feira (4). O grupo cobra o pagamento de seis meses de salários atrasados e denuncia a falta de cumprimento de direitos básicos, como o 13º salário.

A crise financeira da unidade atinge diversas categorias e se arrasta por meses alternados. Segundo os manifestantes, não houve pagamento dos meses de abril, maio, outubro, novembro, dezembro e janeiro. Além do não pagamento de benefícios, como 13º salário que, também, segue pendente.

Segundo Amanda Gabriele, profissional da área de enfermagem do hospital, além dos salários e dos benefícios, o piso da enfermagem não está sendo repassado aos trabalhadores, mesmo com o repasse para pagamento sendo feito. “Pisos de enfermagem que eles não fazem o repasse e recebem todos os meses - que eu já perdi as contas de quantos meses”, afirmou.


A funcionária afirmou que atrasos nos salários não é anormal na instituição, mas que o atraso de 6 meses vem trazendo diversos transtornos para os trabalhadores.

“Sempre tivemos problemas com atraso dos salários, mas nunca desse jeito. Seis meses é um absurdo. Pessoas sem dinheiro para comer, sendo despejadas, tomando remédio controlado para conseguir continuar a viver” destacou Amanda.

Ainda de acordo com Amanda, uma enfermeira, identificada apenas como Rose, recebeu uma ordem de despejo da casa onde paga aluguel. Devido à falta de pagamento do salário, Rose passou mal dentro do hospital e teve um princípio de derrame. Ela precisou ser encaminhada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Não há informações sobre o estado atual de saúde da trabalhadora.

Amanda também faz um apelo devido à situação dos funcionários do Hospital Veredas. “Isso é uma briga politica muito grande. Todos os hospitais (Santa Casa, Sanatório) recebendo a produção e só a gente nessa situação. É muito humilhante”, disse.

O ato reúne uma força de trabalho diversa: médicos, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem, copeiras, maqueiros, nutricionistas, assistentes sociais e funcionários dos setores de higienização, farmácia, administrativo, laboratórios e banco de sangue.

Crise Recorrente


Esta não é a primeira mobilização dos profissionais. De acordo com as organizações que representam os trabalhadores, a administração do Hospital Veredas não tem cumprido o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado no início do ano para regularizar os débitos. Mesmo com tentativas anteriores de negociação, o impasse persiste, afetando a subsistência de centenas de famílias.

A reportagem entrou em contato com a direção do hospital, para saber um posicionamento sobre a situação, e aguarda retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos da unidade de saúde.

Estagiário sob supervisão*