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Caso Henri Castelli: convulsão pode ser causada por estresse ou abstinência? Saiba mais
Neurologista explica por que pessoas sem epilepsia podem sofrer descargas elétricas no cérebro que causam crises convulsivas
Após o caso do ator Henri Castelli, que sofreu uma convulsão durante uma prova de resistência do programa Big Brother Brasil 26, o tema ganhou repercussão nacional. O caso do ator levantou dúvidas sobre o que fazer ao presenciar uma situação em que uma pessoa tem uma crise convulsiva.
O Jornal de Alagoas entrevistou a neurologista do Hospital Geral do Estado (HGE), Nayra Sales, especialista em epilepsia e eletroencefalograma desde 2018, para entender o que acontece com o corpo humano nesses casos e quais são as possíveis causas.

Para Nayra, o caso do ator foi resultado de uma situação extrema de estresse, privação de sono e esforço físico exagerado, visto que o artista contou após ser atendido que foi a primeira vez que sofreu uma crise convulsiva.
“Como ele estava sob um estresse agudo muito forte, não se pode dizer que ele tem epilepsia, e sim uma crise convulsiva num contexto de sofrimento agudo transitório. Esse sofrimento cerebral pode ter tido várias causas associadas que levaram a uma crise convulsiva, sendo as mais prováveis a privação de sono, estresse emocional, hipoglicemia e desidratação”, destacou a médica.
Uma teoria, levantada por internautas nas redes sociais, dizia que o ator poderia estar sofrendo um sintoma de abstinência de drogas. Segundo a neurologista, a abstinência de entorpecentes pode sim ser uma causa de crise convulsiva.
“A abstinência de drogas é uma causa de crise convulsiva. Tanto o álcool, benzodiazepínicos e psicoestimulantes podem levar a crises convulsivas quando em abstinência. Isso porque uso o crônico da droga leva a uma dependência, e sua ausência acaba gerando uma hiperexcitabilidade nos neurônios e podem gerar descargas elétricas causando convulsões”, explicou.
Para pessoas leigas, é comum confundir uma crise convulsiva com um caso de epilepsia. De acordo com a médica, há diferença entre os dois casos. No caso da epilepsia, é uma predisposição crônica do cérebro a gerar crises epilépticas, mesmo em situações em que o indivíduo não está exposto a um sofrimento cerebral agudo.
Já a crise convulsiva é mais comum, podendo atingir até 10% da população. “É uma descarga elétrica cerebral muito forte e anormal, levando a perda da consciência e espasmos no corpo, podendo ocorrer em indivíduos que não tem epilepsia, em casos em que a pessoa está passando por um sofrimento cerebral transitório agudo, como uma hipoglicemia, desidratação intensa, uso de álcool ou drogas ilícitas, meningites e AVC, por exemplo”, esclareceu Nayra.
A médica também alertou sobre os riscos que uma crise convulsiva, proveniente, ou não, de um caso de epilepsia, como o sufocamento da vítima e o risco de lesões. “É necessário ter cuidado com risco de sufocamento, e traumas no corpo gerados durante a crise. Quando dura mais de 5 minutos trata-se de um urgência médica aumentando risco de arritmias cardíaca, redução da oxigenação e morte neuronal”, disse.
Nayra destacou que a epilepsia pode afetar pessoas de qualquer idade sendo mais comum em crianças e idosos, época que o cérebro sofre mais mudanças estruturais. A médica explicou que em alguns casos pode haver a cura, principalmente algumas epilepsias da infância que são autolimitadas, melhorando na puberdade ou até 18 anos.
“Esperamos pelo menos 10 anos do indivíduo sem tratamento e sem nenhuma crise para afirmar que é uma epilepsia resolvida”, esclareceu a neurologista.
Dados e estatísticas
Segundo dados do Serviço de Atendimento Móvel Urgente de Alagoas (SAMU), o estado teve um aumento, no ano de 2025, de 7,7% nas chamadas para atendimento desses casos em relação ao ano de 2024. No ano de 2024 foram 1.816 atendimentos relacionados ao agravo, em 2025 o número subiu para 1.956 — sendo 1.368 pela Central de Maceió e 588 pela Central de Arapiraca.
De acordo com a neurologista Nayra Sales, os casos de crise convulsiva são uma das causas neurológicas mais comuns nas emergências, representando dentro das emergências 1 a 3% dos atendimentos em ambiente hospitalar, chegando a 5% nas emergências pediátricas.
Estagiário sob supervisão*


