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“O rio está praticamente morto”, diz morador ao denunciar despejo contínuo de esgoto em Jacarecica
Vazamentos atingem o Rio Jacarecica e o mar; especialista aponta sistema de saneamento subdimensionado
Moradores do bairro de Jacarecica, no litoral norte de Maceió, voltaram a denunciar o despejo contínuo de esgoto na região, com impacto direto sobre o Rio Jacarecica e a faixa de praia. A reclamação foi encaminhada à redação do portal CadaMinuto nesta segunda-feira (19), acompanhada de vídeos que mostram o lançamento de água contaminada por meio de galerias e bueiros.
As imagens registram um grande volume de líquido com características de esgoto saindo de estruturas destinadas à drenagem pluvial. De acordo com o morador que fez a denúncia, o problema não é recente e se espalha por diferentes vias do bairro.
“O problema já atingiu inclusive a outra rua, a paralela, no sentido praia. Aqui no meio da via há um bueiro completamente estourado, e a situação se repete por toda essa área”, relatou.
Segundo ele, as redes afetadas foram projetadas exclusivamente para escoar água da chuva, mas atualmente recebem despejos contínuos de esgoto. O morador afirma ainda que não há registro de chuvas significativas na região há cerca de um ano, o que reforça a origem do material despejado.
“Essa água vai para o Rio Jacarecica, um rio que já está praticamente morto”, declarou.
Ainda conforme o relato, o vazamento ocorre em vários pontos da rede, provocado por bueiros rompidos, o que compromete o sistema de saneamento local. “Todo esse volume vem direto da rede de saneamento, dos prédios, da região do Alfredo Gaspar e de vários outros pontos. É fácil de entender. O problema está escancarado”, afirmou.
Crescimento urbano e falhas no sistema
O arquiteto e urbanista Dilson Ferreira, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), avalia que o sistema de esgotamento sanitário da região não acompanhou o crescimento imobiliário registrado nos últimos anos. Segundo ele, a infraestrutura existente opera acima da capacidade para a qual foi projetada.
“Essa rede foi projetada para atender 167 casas e passou a receber o esgoto de 49 blocos de apartamentos do Alfredo Gaspar e, além disso, de prédios novos e de grande porte”, explicou.
De acordo com o professor, a sobrecarga faz com que a bomba da subestação elevatória entre em colapso com frequência, provocando o retorno do esgoto e o extravasamento para a rede de drenagem.
“É necessário refazer todo o sistema de saneamento dessa região. Não adianta utilizar uma infraestrutura antiga para uma realidade em que o mercado imobiliário está crescendo de forma gigantesca. É, essencialmente, uma questão de dimensionamento do sistema de infraestrutura de esgoto”, afirmou.
Dilson Ferreira também apontou responsabilidade institucional na gestão do problema. “Há responsabilidade da BRK, da Casal e do Governo do Estado de Alagoas pela operação, planejamento e adequação do sistema”, concluiu.
Com Cada Minuto.


