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O que pode causar afundamento de solo? Geólogo da Defesa Civil de Maceió detalha possíveis fatores

Órgão mantém monitoramento contínuo em toda a capital para prevenir riscos e combater desinformação

Por Redação* 19/01/2026 11h11
O que pode causar afundamento de solo? Geólogo da Defesa Civil de Maceió detalha possíveis fatores
Riscos e causas de afundamento são monitorados diariamente por técnicos da Defesa Civil de Maceió - Foto: Assessoria

A Defesa Civil de Maceió é o órgão responsável pela gestão de riscos e pela segurança da população diante de desastres, sejam eles naturais ou decorrentes da ação humana. Um exemplo recente é o impacto causado pela exploração de sal-gema realizada pela mineradora Braskem, que atingiu cinco bairros da capital alagoana.

Quando o tema é afundamento de solo, no entanto, as causas podem ser diversas. Para esclarecer a população e evitar a propagação de informações incorretas, o geólogo da Defesa Civil Municipal, Emmanuel Neto, mestre e doutorando em Geociências, explica que esse tipo de fenômeno pode ocorrer em qualquer região, a depender das condições locais.

Entre os fatores que podem provocar o afundamento do solo estão:

  • Superexploração de aquíferos;
  • Características do solo, como solos argilosos, arenosos ou tufosos;
  • Carga estrutural excessiva de edificações;
  • Processos cársticos, como a dissolução de rochas calcárias que formam cavernas subterrâneas, podendo levar ao colapso do teto (sinkhole);
  • Compactação natural de sedimentos;
  • Desativação irregular ou vazamentos pontuais de fossas sépticas em residências;
  • Atividades de mineração.

“Todas essas situações podem provocar afundamento de solo. Cada caso deve ser estudado de forma aprofundada, para que a causa correta seja encontrada, a fim de propor a melhor solução”, expõe o geólogo.

A Defesa Civil de Maceió realiza o monitoramento permanente de toda a cidade, com o objetivo de identificar, mapear e agir preventivamente diante de riscos. A atuação não se limita ao afundamento de solo, abrangendo também situações provocadas por ações humanas, como construções irregulares em áreas de vulnerabilidade social, que podem gerar deslizamentos de massa e desabamentos, além de riscos associados a eventos naturais, como chuvas intensas e inundações.

Segundo o coordenador-geral da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, alguns afundamentos acontecem de maneira muito lenta, sem representar perigo imediato à vida das pessoas. Em outros casos, como o afundamento ativo registrado nos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange e em partes do Farol e do Bom Parto, foi necessária a retirada da população para garantir a segurança.

Afundamento na Ponta Verde tem relação com a Braskem?

Nos últimos dias, declarações atribuídas a um técnico, divulgadas na imprensa, indicaram que o bairro da Ponta Verde estaria passando por um processo de afundamento do solo, o que gerou grande repercussão, especialmente diante do histórico de subsidência em Maceió.

Emmanuel Neto esclarece que as características observadas na região são diferentes daquelas associadas ao afundamento provocado pela mineração, além de o bairro estar localizado a uma distância significativa das cavidades de exploração, que atualmente passam por processo de preenchimento.

“Há um artigo internacional publicado no Journal of South American Earth Sciences* que já estuda um caso na parte baixa de Maceió e atribui a ele uma possível superexploração de aquíferos, que é uma grande extração de água subterrânea e, quando não há uma recarga natural suficiente pela água da chuva, pode haver o rebaixamento do solo”, explica.

O geólogo acrescenta que situações semelhantes já foram registradas em Recife, em Pernambuco, também associadas à superexploração de aquíferos, reforçando que diferentes fatores podem levar ao rebaixamento do terreno.

“Nem todo afundamento de solo é causado por mineração. Cada caso deve ser estudado por profissionais habilitados e a causa deve ser tratada da forma correta, como é feito nos bairros que são monitorados pela Defesa Civil de Maceió”, conclui.

O artigo citado, intitulado “Monitoring land subsidence using Sentinel-1A, persistent scatterer InSAR, and machine learning techniques”, está disponível para consulta.

*Com informações da Ascom Defesa Civil Maceió