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Após ataque à Venezuela, Trump ameaça cinco países e eleva tensão global
Presidente dos EUA mira Cuba, México, Colômbia, Irã e até a Groenlândia, fala em intervenções e acirra temor de novos conflitos internacionais
Desde a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, realizada em 3 de janeiro, o presidente Donald Trump passou a ampliar o tom de confronto diplomático e a direcionar ameaças a outros países. Cuba, México, Colômbia, Irã e o território da Groenlândia, ligado à Dinamarca, entraram no radar do governo norte-americano nas semanas seguintes à ação em Caracas.
A operação na Venezuela resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Inicialmente apresentada como uma ação de combate ao narcotráfico internacional, a intervenção ganhou novos contornos após declarações de Trump sobre o controle das reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.
Após o episódio, o presidente dos Estados Unidos passou a fazer declarações públicas envolvendo possíveis sanções, intervenções ou imposições econômicas a outros países. Cuba foi um dos primeiros alvos. Trump afirmou que o país precisaria negociar com Washington ou ficaria sem acesso a recursos energéticos e financeiros, citando a antiga relação entre Havana e Caracas. O governo cubano respondeu negando qualquer negociação em curso, limitando os contatos bilaterais a questões técnicas de imigração.
O México também foi mencionado pelo presidente norte-americano. Trump declarou que pretende intensificar ações contra cartéis de drogas, incluindo operações terrestres em território mexicano. A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que conversou com Trump e disse que o respeito à soberania do México foi assegurado, afastando a possibilidade de intervenção militar.
Na América do Sul, a Colômbia passou a ocupar posição central no discurso do republicano. Trump fez críticas diretas ao presidente Gustavo Petro e associou o país à produção de cocaína. A escalada verbal provocou reações do governo colombiano, que chegou a falar em defesa armada da soberania nacional. Dias depois, os dois presidentes conversaram por telefone e sinalizaram a retomada do diálogo diplomático, com previsão de encontro em Washington.
Outro foco de tensão envolve a Groenlândia. Trump voltou a defender a anexação do território, alegando razões estratégicas e de segurança internacional. Apesar de a ilha ser parte autônoma do Reino da Dinamarca e integrante da Otan, o presidente dos EUA afirmou que não descarta medidas mais duras caso não haja acordo. Autoridades dinamarquesas e groenlandesas reagiram reafirmando compromissos com a aliança militar e alertando para as consequências de qualquer ação unilateral.
No Oriente Médio, o Irã passou a ser citado em meio a protestos internos contra o governo do país. Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam agir caso houvesse mais mortes de manifestantes. Além disso, anunciou a imposição de tarifas comerciais a países que mantiverem relações econômicas com Teerã, ampliando o cerco econômico ao regime iraniano.


